Apple, Samsung e montadoras pararam fábricas mesmo sem crise. Por quê?

O déficit global de chips piora a cada dia. Assim como os gigantes de tecnologia Apple e Samsung Electronics, montadoras em três continentes sinalizaram de cortes de produção e perda de receita devido à crise

O déficit global de chips piora a cada dia. Assim como os gigantes de tecnologia Apple e Samsung Electronics, montadoras em três continentes sinalizaram de cortes de produção e perda de receita devido à crise.

Em um período de apenas 12 horas, a Honda disse que vai interromper a produção em três fábricas no Japão; a BMW reduzirá turnos em fábricas na Alemanha e na Inglaterra; e a Ford Motor revisou para baixo a previsão de lucro anual devido à escassez de chips, que deve se estender até o próximo ano. A Caterpillar em seguida sinalizou que pode não conseguir atender à demanda de máquinas usadas pelos setores de construção e mineração.

Agora, as mesmas empresas que se beneficiaram com o aumento da demanda por celulares, laptops e eletrônicos durante a pandemia, o que provocou a falta de chips, sentem o aperto.

Após um forte segundo trimestre, o diretor financeiro da Apple, Luca Maestri, alertou que problemas de fornecimento têm afetado as vendas de iPads e Macs, dois produtos que tiveram desempenho especialmente positivo durante os lockdowns. Maestri disse que isso deve reduzir a receita de 3 bilhões a 4 bilhões de dólares durante o terceiro trimestre fiscal.

“É uma luta, e você tem de estar em contato diário com os fornecedores. Precisa assegurar que é importante para eles”, disse o diretor-presidente da Nokia, Pekka Lundmark, em entrevista na quinta-feira à Bloomberg Television. “Quando há escassez no mercado, são coisas como quão importante você é no geral, quão fortes são seus relacionamentos e como você gerencia as expectativas.”

Ao mesmo tempo, fabricantes de semicondutores divulgam vendas crescentes e prometem investir bilhões para expandir capacidade enquanto tentam acompanhar a demanda. A Qualcomm, maior fabricante de chips para smartphones do mundo, disse que a demanda por aparelhos começa a se recuperar com o retorno à normalidade em alguns mercados que foram paralisados pela pandemia de covid-19.

A STMicroelectronics, um importante fornecedor de chips para montadoras, disse que o lucro de sua unidade automotiva e de energia deu um salto de 280% no primeiro trimestre. O CEO Jean-Marc Chery atribuiu o desempenho à recuperação surpreendente na demanda, bem como a adoção pela indústria de novos recursos digitais que exigem mais chips para a nova onda de restrições da cadeia de suprimentos.

A Samsung, que é tanto produtora quanto usuária de chips, disse na quinta-feira que a falta de componentes contribuirá para uma queda da receita e do lucro neste trimestre na divisão móvel, que produz os smartphones Galaxy.

Além da Apple, cujos iPhones de alta especificação e demanda normalmente a colocam na frente da fila, a escassez de chips ameaça amortecer uma recuperação preliminar no mercado de smartphones.

As remessas mundiais aumentaram cerca de 27%, para 347 milhões de aparelhos no primeiro trimestre, impulsionadas por uma infinidade de novos modelos e rápida retomada pós-pandemia na China. A falta de componentes, como processadores de aplicativos, pode enfraquecer esse impulso ao longo de 2021.

“A covid-19 ainda é um aspecto importante, mas já não é o principal gargalo”, escreveu na quinta-feira Ben Stanton, gerente de pesquisa da Canalys. “O fornecimento de componentes essenciais, como chipsets, rapidamente se tornou uma grande preocupação e afetará as remessas de smartphones nos próximos trimestres.”

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