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Alimentação saudável é nova fronteira do mercado pet no Brasil; veja PMEs que apostam na tendência

A VegPet, fundada por Victor Augusto Ramos e Thais Lage de Almeida, aposta em rações veganas para cães e gatos; conheça história do negócio e outros empreendimentos do segmento

Victor Augusto Ramos e Thaís de Almeida, fundadores da VegPet: rações veganas para cães e gatos (VegPet/Divulgação)

Victor Augusto Ramos e Thaís de Almeida, fundadores da VegPet: rações veganas para cães e gatos (VegPet/Divulgação)

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Por Gisele Tamamar, Jornal de Negócios do Sebrae-SP

23 de outubro de 2022, 08h00

A chegada do cão Pudim na vida de Alexandre Horta trouxe muita alegria e companheirismo, mas também despertou uma vontade já existente de empreender. Isso porque Pudim não aceitava muito bem as rações disponíveis no mercado, mesmo as mais caras. Foi então que Horta pesquisou, estudou e resolveu criar a Chef Vira-lata, uma empresa de comida natural para cães.

O administrador faz parte de um grupo de empreendedores do mercado pet que enxergou na alimentação saudável para animais de estimação uma oportunidade de negócio. A gestora estadual do segmento pet do Sebrae-SP, Vanessa Lima, afirma que se trata de uma tendência, com uma indústria muito competitiva e exigente.

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Dados do Instituto Pet Brasil mostram que o Brasil ocupa o sexto lugar em faturamento mundial no setor, com R$ 51,7 bilhões em 2021. Para 2022, a expectativa é de um crescimento de 14% e cifras de R$ 58,9 bilhões. “Os tutores estão cada vez mais fazendo um tratamento humanizado com seus animais, muitos os vendo como ‘seus filhos’, e não medindo esforços para oferecer- -lhes qualidade de vida. Com isso, surgem diversos tipos de serviços, brinquedos e, recentemente, a alimentação saudável”, destaca Vanessa, reforçando que existe uma série de regulamentações para quem vai trabalhar com alimentação animal.

No caso de Alexandre Horta, da Chef Vira-lata, ele procurou ajuda especializada e iniciou uma série de testes, inclusive com cães da família e de amigos, além de testes laboratoriais para verificar o balanceamento dos pratos.

Um dos fatores que deram mais segurança para a criação da empresa foi o curso Empreenda, do Sebrae, em 2019. “O curso basicamente respondeu a todas as dúvidas que eu tinha com relação à marca, mercado, processos e me deixou muito bem preparado, ao ponto de já começar a entrar com registro da marca, trâmites burocráticos e desenvolvimento de embalagens”, relata Horta.

A empresa utiliza ingredientes, como arroz integral, seleta de legumes, moela de frango ou peito de frango ou coração bovino e proteína texturizada de soja, além de vender geleia de colágeno. A empresa oferece o serviço de assinatura mensal, em que as fórmulas são desenvolvidas de acordo com a característica de cada animal, e também por meio de vendas avulsas de potes com 400 ou 800 gramas.

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A Chef Vira-lata foi uma das micro e pequenas empresas selecionadas para expor no estande do Sebrae-SP na Expo Pet South America, maior evento voltado para o mercado pet da América Latina, realizado em agosto, em São Paulo. Segundo Horta, foi um “divisor de águas”, onde ele teve a oportunidade de conversar com compradores do Brasil e da América Latina.

“Este ano estamos ampliando nossa rede de revendedores, para que nossos produtos alcancem novas regiões. Nossa meta é atingir todos os Estados brasileiros. Como trabalhamos com a comida congelada, nosso grande desafio é a logística”, afirma Horta.

Experiência

A empreendedora Tania Addêo Carlquist atua no mercado de alimentação saudável para pets desde 2016, quando criou a Nena Pet Alimentação Natural, em Sorocaba. Com formação em zootecnia e gastronomia, Tania encontrou uma oportunidade de unir as duas formações e trabalhar com algo que se sente confortável e segura.

A Nena Pet vende as receitas em porções para pronta entrega na loja de fábrica, tem freezers em pet shops e “creches” para pets, representantes comercias e e-commerce. A empresa também oferece planos mensais com a possibilidade de escolha de receitas e porções personalizadas, produz receitas prescritas por um profissional e ainda produz para marcas terceiras.

Tania relata que já houve um momento que a maior procura pelo produto era de clientes que estavam com seus pets em situação em que a mudança de alimentação era um recurso necessário e iminente por problemas de saúde. Hoje, o perfil está mais equilibrado, envolvendo pessoas que buscam alternativas entendidas como mais saudáveis seguindo o estilo de vida deles e estendendo para os pets da casa.

“Mesmo os profissionais que antes entendiam esse modelo de alimentação como não adequado, com o aquecimento desse mercado e maior compreensão do que é essa alimentação, estão mais adeptos e indicando para qualquer perfil de pet, não somente os que estão em condições de saúde debilitada”, afirma a empreendedora. “Entendemos que o nosso produto é uma tendência e não um modismo e cada vez mais o próprio mercado nos leva a entender que estamos no caminho certo”, completa.

Ração Vegana

Os sócios Victor Augusto Ramos e Thais Lage de Almeida criaram a VegPet, empresa que engloba um e-commerce e distribuidora, e a Bicho Green, marca de ração vegana para cães e gatos. O envolvimento com o mercado começou com a chegada dos cães Rufus e Frodo. Vegetarianos, os sócios começaram a pesquisar uma alimentação natural para os pets que estivesse alinhada com os mesmos valores.

Eles encontraram uma opção vegetariana no interior de São Paulo e encontraram uma oportunidade de começar a vender o produto. O início envolveu um site bem simples até o lançamento, em 2015, do e-commerce para vender alimentos e outros produtos de higiene e acessórios.

Em 2017, após uma captação de investimento, eles lançaram a própria ração vegana, a Bicho Green, com planos de lançar novos produtos relacionados à nutrição pet.

“O mercado, de forma geral, é muito receptivo a essa ideia de produtos vegetarianos e veganos. Gera muita discussão, principalmente porque nem todos conhecem nutrição animal e confundem o fato de a ração ser vegana com uma possível necessidade de suplementar proteínas de origem animal. Na realidade, eles precisam dos aminoácidos, que podem ser extraídos de fontes vegetais ou sintetiza-los na hora da formulação”, explica Victor Ramos.

Para ajudar a esclarecer os temas envolvendo a ração vegana, a VegPet publica vídeos no YouTube com explicações e relatos de clientes para tirar as principais dúvidas.

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