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Remy Sharp
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A fala do governador do Amazonas, Wilson Lima (União Brasil), questionando o uso do nome da gigante de tecnologia Amazon, repercutiu nas redes sociais nos últimos dias. Lima falou, em entrevista a jornalistas, que pretende se reunir com a empresa de tecnologia de Jeff Bezos na COP 28 para "fechar parceria" e pedir explicações sobre o nome da empresa.

"A Amazon usa o nome do Amazonas, da Amazônia. Quanto é que a gente ganha por isso? A gente tem que saber, esse é um dos questionamentos que a gente vai fazer lá", disse o governador, mencionando a Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, COP28, que começou na quinta-feira, 30, em Dubai.

No mesmo dia, mais tarde, Lima afirmou, em nota, que não está "atrás de royalties ou Pix da Amazon", mas que busca atrair "parceiros interessados em investir em projetos locais." No dia em que a COP começou, inclusive, o político também publicou um vídeo em suas redes sociais direcionado a Jeff Bezos.

O que diz o vídeo

No vídeo publicado no X (ex-Twitter), uma voz feminina, representando a floresta amazônica, faz um convite ao bilionário norte-americano. "Olá Jeff, você já me viu do espaço, do foguete e até voando de helicóptero, mas ainda não me conhece de verdade. Eu sei que você é dono da Amazon e que temos muito em comum. Você distribui milhões de produtos e tem o maior parque de logística do mundo. Eu produzo ar puro para todo o planeta e tenho a maior biodiversidade da Terra", diz parte do vídeo.

"Se a sua empresa parasse, Jeff, muita coisa ia atrasar. E se eu parasse, o clima ia esquentar. Se sua empresa é a mais valiosa de todas, o meu valor é incalculável. E já que você usa o meu nome e eu nunca ganhei nada com isso, vem aqui me conhecer de perto, Jeff. De baixo das minhas árvores vivem pessoas, e sem cuidar delas, é impossível cuidar de mim. Desce aqui, Jeff. A Amazônia está chamando você", conclui o material.

Afinal, qual a origem do nome Amazon?

A repercussão da declaração do governador do Amazonas fez muita gente se perguntar: afinal, o nome Amazon tem alguma relação com Amazônia? A resposta é sim.

A Amazon foi criada em 1994, na garagem da casa de Jeff Bezos, como uma livraria online. À época, no entanto, a Amazon não tinha esse nome. A primeira marca da empresa de Bezos era Cadabra, em referência à famosa palavra mágica "abracadabra".

O nome, no entanto, durou pouco, já que o advogado que atendia Bezos disse a ele que o termo, ao ser pronunciado, poderia ser confundido com algo obscuro.

Por via das dúvidas, Bezos e sua então esposa procuraram por outras opções e registraram diversos domínios disponíveis: Awake.com, BookMall.com e Relentless.com. Se você acessar esse último, aliás, ainda será direcionado para o site da Amazon.

Mas como de Relentless, Bezos chegou à Amazon?

Nos primórdios da internet, os mecanismos de busca mostravam o resultado das pesquisas em ordem alfabética. Por isso, sites com a letra A apareceriam antes dos que com a letra B, C ou D, por exemplo. Bezos percebeu isso e começou a procurar por uma palavra que começasse com A.

O nome Amazon surgiu, em algum momento durante a busca na letra A no dicionário, numa referência ao Rio Amazonas, um dos maiores do mundo e com imensa diversidade de fauna e flora.

Bezos ligou uma coisa à outra: queria que sua livraria fosse a maior e com o portfólio mais extenso do mundo. "Esse rio supera todos os outros de longe", disse Bezos ao autor do livro The Everything Store, Brian Stone, que conta a história da Amazon.

No início, aliás, o logo da empresa tinha um rio desenhado. Veja abaixo:

O primeiro logo da Amazon fazia alusão ao Rio Amazonas

Disputa pelo domínio .amazon

Não é o primeiro conflito envolvendo representantes da floresta amazônica e a gigante de tecnologia. Desde 2012, oito países da América Latina disputam com a Amazon o domínio na internet do .amazon. A disputa entre Amazon e os oito países da região amazônica, o Brasil entre eles, vem desde 2012, quando a Icann abriu a possibilidade de registro de domínios não tradicionais. À época, a Amazon entrou com o pedido de registro do .amazon, assim como a empresa de roupas de esportes de inverno Patagônia o fez com o .patagonia.

O pedido da Amazon foi negado em 2013 pela Icann, por unanimidade e uma única abstenção, do representante dos Estados Unidos, assim como o apresentado pela Patagônia, que decidiu por não dar seguimento à análise do pedido.

No entanto, em 2017 o Conselho de Governos da Icann, um órgão deliberativo, recomendou a diretoria da entidade que "facilitasse a negociação" entre os oito países e a Amazon para que se tentasse chegar em uma solução à respeito, abrindo novamente a possibilidade de registro do domínio.

Em outubro de 2018, o Icann retirou o status de "não dar seguimento" da proposta de registro da Amazon, alegando que os oito países e a empresa haviam encontrado um caminho de negociação. A afirmação, no entanto, foi veementemente negada pelos oito países amazônicos, que acusam o presidente do Icann, Göran Marby, de ter distorcido informações.

Em 2019, a disputa chegou ao fim. A Amazon ficou com o direito de criar sites que terminem com .amazon, e liberou alguns endereços desse domínio para os países da Amazônia.

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