A vigiada Exxon Mobil

Hoje a maior petroleira privada do mundo, a Exxon Mobil, realiza um evento rotineiro, mas com um toque novo. É a primeira vez nos últimos 10 anos que o anúncio de resultados será comandado pelo executivo Darren Woods, já que o antigo presidente, Rex Tillerson, aguarda a aprovação do Senado dos Estados Unidos para assumir o cargo de Secretário de Estado do governo Donald Trump.

De um lado, sobram dúvidas sobre se Tillerson pode ter qualquer tipo de influência pró-Exxon junto ao governo dos Estados Unidos. Principalmente quando se trata dos laços do ex-executivo com a Rússia, onde estão vastas reservas de petróleo ainda não exploradas pela companhia. Tillerson recebeu em 2013 uma ordem de reconhecimento como Amigo da Rússia.

Do outro, os analistas aguardam algum tipo de resolução sobre a exploração da bacia Permian, localizada no oeste do Texas, onde a Exxon recém adquiriu uma área que dobrou sua capacidade de exploração em um acordo bilionário. O aumento da capacidade produtiva é uma preocupação diante do acordo da Opep, o cartel dos países produtores, que concordou em reduzir a produção e queimar os estoques de petróleo.

Analistas esperam que a companhia de 352 bilhões de dólares divulgue faturamento de 62,6 bilhões de dólares, acima dos 59,8 bilhões do mesmo trimestre no ano passado. Seria um bom sinal para um ano tenebroso no setor de energia: desde que o preço do petróleo começou a cair, em 2014, as ações de companhias como a Exxon Mobil vêm caindo drasticamente.

Analistas estimam que 2016 as perdas nos lucros do setor serão de 82% conforme os resultados forem sendo divulgados. As ações da Exxon subiram cerca de 8% no último ano, cerca de metade do índice S&P 500 — no último trimestre as ações da petroleira registram queda 0,3%. Com o avanço do governo Trump, poucas companhias serão tão vigiadas, e cobradas, quanto a Exxon. Mas os 175 milhões de dólares de bônus pagos a Tillerson em sua saída certamente não farão falta. 

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