Redação Exame
Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 09h11.
O presidente da Ucrânia Volodymyr Zelensky afirmou nesta terça-feira, 20, que não vai comparecer ao Fórum Econômico Mundial em Davos, para coordenar a resposta ucraniana aos ataques russos na infraestrutura de energia do país.
Segundo a Bloomberg, Zelensky afirmou à mídia que o plano dele pode mudar, dependendo de possíveis acordos que a Ucrânia possa assinar durante o encontro.
A agenda do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, deve guiar todas as discussões durante o evento. Em nova ofensiva diplomática, Trump declarou que pretende reunir diversas lideranças para discutir sua ambição de assumir o controle da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca.
Segundo publicação feita em seu perfil oficial no Truth Social, Trump afirmou ter tido uma “ótima ligação telefônica” com Mark Rutte, secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), para tratar da segurança no Ártico. Ele anunciou que aceitou um encontro multilateral em Davos, embora não tenha especificado os participantes. “A Groenlândia é imperativa para a segurança nacional e mundial”, escreveu.
A declaração reacende tensões diplomáticas com aliados europeus e ocorre dias após Trump dizer que “temos que ter” a Groenlândia. Em entrevista a jornalistas no local, Trump afirmou que a oposição europeia "não irá resistir muito".
O primeiro-ministro francês, Emmanuel Macron, se tornou o principal opositor do plano. Em resposta às ameaças comerciais feitas por Trump, Macron propôs que a União Europeia ative seu mecanismo mais duro de retaliação. O presidente dos EUA chegou a ameaçar tarifas de até 200% sobre vinhos e champanhes franceses.
O atrito entre os dois líderes se intensificou após Macron recusar o convite de Trump para integrar um “Conselho de Paz” voltado à crise em Gaza. Trump também publicou uma captura de tela de uma suposta mensagem enviada por Macron, em que o francês critica a posição americana sobre a Groenlândia: “Não entendo o que você está fazendo”.
Macron sugeriu, ainda, realizar uma reunião do G7 em Paris na quinta-feira, 22, com a participação de Ucrânia, Dinamarca, Rússia e Síria.
A movimentação dos EUA ocorre em paralelo à tentativa de Trump de vincular sua postura sobre a Groenlândia à frustração por não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz. Em carta enviada ao primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, o presidente disse não se importar com a premiação, mas agradeceu a líder venezuelana María Corina Machado por ter lhe oferecido sua própria medalha.
Trump deve discursar em Davos por volta das 10h30, no horário de Brasília, nesta quarta-feira, 21. Ele prometeu destacar os resultados da economia americana, que classificou como a “mais quente do mundo”, citando altas no mercado de ações e aumento de investimentos.
Apesar das crescentes críticas internacionais, o presidente disse estar confiante na recepção de sua proposta. “Não há como voltar atrás. Todos concordam com isso”, escreveu, referindo-se à Groenlândia.
Até o momento, a Dinamarca não se manifestou oficialmente sobre o novo esforço americano.