Volta do carvão em leilões é paradoxo, diz presidente da EPE

"É um paradoxo ambiental mas, no fundo, representa a escolha que se faz na sociedade", afirma Maurício Tomasquim

Rio de Janeiro – Embora considere que as usinas movidas a carvão mineral voltem aos leilões de geração de energia elétrica com a vantagem de elevar a disponibização de fontes de energia permanente, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tomasquim, disse que considera a opção um paradoxo.

"É um paradoxo ambiental mas, no fundo, representa a escolha que se faz na sociedade", afirma Tomasquim. Essas térmicas estarão no próximo leilão A-5, marcado para 29 de agosto, em São Paulo. O A-5 é uma modalidade de leilão que vende a energia a ser produzida em um período de cinco anos.

A volta do carvão aos leilões, explica, ocorre em razão das restrições sócio-ambientais à construção de hidrelétricas com grandes reservatórios na Bacia Amazônica. Outra razão são os preços ainda pouco competitivos do gás natural, menos poluente que o carvão. Usinas eólicas e hidrelétricas sem reservatório são mais viáveis. No entanto, por dependerem de condições naturais estáveis (ventos e chuvas), enfrentam também dificuldades para serem implementadas.

"Prefiro as usinas hidrelétricas com reservatório, mas é uma decisão que tem de ser discutida com a sociedade: hoje o sinal que se tem tido é de resistência à hidrelétrica", disse Tomasquim.


Segundo a EPE, a permanência do carvão nos próximos leilões vai depender das descobertas de gás natural que podem ocorrer nos próximos anos e dos investimentos para tornar o gás natural liquefeito mais barato.

O próximo leilão A-5 incluirá também a hidrelétrica de Sinop, no Rio Teles Pires, no Mato-Grosso, e térmicas a gás e biomassa. Outro leilão A-5 está sendo preparado para dezembro: nele pode ser incluída a usina hidrelétrica de São Manoel, que ainda depende de licenciamento ambiental e de negociação com índios Mundurucu.

Ontem, 34 usinas a óleo foram desligadas depois de nove meses de funcionamento, a um custo mensal de R$ 1,4 bilhão. A necessidade das usinas térmicas surgiu a partir do período seco, em 2012, e também do crescimento do consumo de energia. O consumo continua a evoluir, de forma acelerada, alimentado pelo aumento da renda e do consumo nos últimos anos, apesar das menores taxas de crescimento econômico verificadas desde o ano passado.

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