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Vacinas chegam à África, mas problemas logísticos dificultam aplicação

Campanhas de vacinação bem-sucedidas na África são vitais para acabar com a pandemia globalmente, dizem especialistas em saúde

 (Sumaya Hisham/Reuters)

(Sumaya Hisham/Reuters)

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Reuters

6 de dezembro de 2021, 12h03

Quando um grupo chegou à clínica de saúde de Sekenani, no interior do Quênia, para receber vacinas contra covid-19 recentemente, funcionários disseram que as doses haviam acabado e que eles deveriam voltar em breve.

Para alguns, isto significava uma longa viagem a pé desperdiçada e um dia longe de seus rebanhos de gado.

Mas o condado de Narok, onde a clínica se localiza, não estava com escassez de vacinas, já que quase 14 mil doses esperavam em um refrigerador na cidade mais próxima, situada a 115 quilômetros de distância. Um mal entendido com autoridades do condado fez com que Sekenani não recebesse o suficiente, disseram dois profissionais da saúde.

O deslize no vilarejo localizado 270 quilômetros a sudoeste da capital Nairóbi ilustra os desafios que as nações africanas enfrentam no combate à covid-19: embora os suprimentos de vacina finalmente estejam aumentando, administrá-las está se mostrando a parte difícil.

Campanhas de vacinação bem-sucedidas na África são vitais para acabar com a pandemia globalmente, dizem especialistas em saúde. As taxas de inoculação baixas do continente estimulam mutações virais, como a nova variante Ômicron que se dissemina pela África do Sul e que provoca uma nova onda de restrições de viagem internacionais.

Só 102 milhões de pessoas, ou 7,5% da população continental, estão totalmente vacinadas, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), que alertou que a desigualdade vacinal prolongará a pandemia.

Governos africanos estão apelando por mais suprimentos de vacina neste ano, mas problemas de produção e o armazenamento de países mais ricos limitavam a distribuição de forma séria até recentemente.

Uma escassez de fundos, pessoal e equipamento médico, além da desconfiança das vacinas, já estavam prejudicando campanhas de vacinação em algumas partes da África. A leva de milhões de doses esperada nas próximas semanas poderia expor estas fragilidades ainda mais, alertam especialistas.

Cerca de 40% das vacinas que já chegaram ao continente não foram usadas, de acordo com dados do centro de estudos Instituto Tony Blair para a Mudança Global.

A taxa de uso das vacinas terá que quadruplicar para acompanhar as remessas nos próximos meses, disse o instituto.

As taxas de vacinação variam amplamente no continente de mais de 1 bilhão de pessoas, e alguns sistemas de saúde de países relativamente pequenos do norte da África estão tendo mais sucesso.

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