Costa leste da China: Barcos de pesca se abrigam no porto de pesca de Ruoshan, em Wenling, província de Zhejiang, no leste da China. (GLOBAL TIMES/VCG)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 9 de agosto de 2026 às 09h23.
Última atualização em 9 de agosto de 2026 às 09h37.
O tufão Dolphin atingiu a costa leste da China neste domingo, 9, com chuvas torrenciais e ventos fortes sobre áreas densamente povoadas do país. Segundo o Centro Meteorológico Nacional da China, o fenômeno tocou o solo por volta das 17h30 (horário local), próximo à cidade de Yuhuan, na província de Zhejiang.
A passagem do tufão ocorre em um momento delicado para a logística chinesa. Antes mesmo da chegada do Dolphin, autoridades já haviam suspendido operações em importantes terminais portuários, como Ningbo-Zhoushan e partes do complexo de Xangai, além de interromper o abastecimento de embarcações e restringir a navegação no rio Yangtzé.
O Dolphin é o terceiro tufão a atingir importantes regiões portuárias da China em menos de um mês, após as passagens de Bavi e Noul. A sequência de interrupções ocorre em um sistema que já operava próximo ao limite.
No fim de junho, 10,9% da frota mundial de contêineres, o equivalente a 3,72 milhões de TEUs, aguardava para atracar em portos ao redor do mundo — o maior nível desde 2022. Apenas na região de Xangai e Ningbo, 156 navios esperavam por um berço, enquanto somente 87 estavam em operação, segundo dados do portal Portgente.
Após a passagem do tufão Bavi, a fila de embarcações em Xangai mais que dobrou, passando de menos de 60 para mais de 120 navios em apenas uma semana. Os atrasos para atracação chegaram a sete ou oito dias em alguns terminais, enquanto determinados serviços acumulavam mais de 144 horas de espera.
A interrupção preocupa exportadores brasileiros porque a China é o principal destino das vendas externas do país. Somente no primeiro semestre de 2026, o Brasil exportou US$ 58,3 bilhões para o mercado chinês, alta de 22% em relação ao mesmo período do ano passado.
Entre os principais produtos embarcados estão soja, minério de ferro e petróleo, que chegam justamente aos portos mais afetados pelas tempestades.
Com navios permanecendo mais tempo ancorados na China, diminui a disponibilidade de embarcações para novas viagens entre os dois países, o que pode elevar os custos de frete e aumentar o tempo de entrega das cargas.
Os efeitos não devem se limitar às exportações brasileiras. Produtos importados da China, como eletrônicos, máquinas, equipamentos industriais e veículos elétricos, também podem sofrer atrasos em razão do congestionamento dos terminais de origem e ao cancelamento de escalas.
Segundo o jornal local Global Times, enquanto o tufão Dolphin avança pela costa leste da China, as autoridades intensificaram as medidas de emergência para reduzir os impactos da tempestade.
Cerca de 100 mil moradores foram retirados de áreas de risco na província de Fujian, enquanto serviços ferroviários foram suspensos, voos cancelados e dezenas de rotas de balsas interrompidas.
As províncias de Zhejiang, Fujian e Guangdong, que concentram alguns dos principais portos chineses, ativaram planos de emergência, restringiram a navegação, reforçaram a segurança em instalações portuárias e suspenderam atividades em áreas costeiras.
O avanço do tufão também levou à interrupção de operações em terminais estratégicos, como Ningbo-Zhoushan, um dos maiores portos de contêineres do mundo, e em partes do complexo portuário de Xangai, principal porta de entrada e saída do comércio chinês.
O Centro Meteorológico Nacional da China emitiu alerta vermelho, o mais alto do país, com previsão de ventos de até 162 km/h e acumulados de chuva de até 440 milímetros em partes de Zhejiang, Xangai, Jiangsu e Anhui. Em Xangai, quase 60% dos voos programados para domingo foram cancelados.
Segundo os meteorologistas chineses, o Dolphin é um fenômeno raro. O ciclone se formou próximo à Linha Internacional de Data, percorreu mais de 7,2 mil quilômetros sobre o Pacífico e permaneceu ativo por cerca de 12 dias, acima da média para esse tipo de sistema.
A expectativa é de que, mesmo após perder força ao atingir o continente, a tempestade prolongue as chuvas e mantenha a pressão sobre a infraestrutura logística da região, atrasando a recuperação dos portos e do transporte marítimo.