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Incêndios florestais: calor intenso pode formar nuvens capazes de alterar as condições meteorológicas locais (Freepik)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 9 de agosto de 2026 às 11h45.
Última atualização em 9 de agosto de 2026 às 11h49.
Um incêndio florestal que atinge a cidade de Niebla, na província de Huelva, no sul da Espanha, já se espalhou por cerca de 8 mil hectares, o dobro da área registrada no sábado, 8. Chamas já atingem 8 mil hectares em Huelva e ampliam a pressão sobre uma Europa marcada por incêndios, evacuações e perdas bilionárias.
O avanço das chamas ocorre em meio a uma temporada severa de incêndios e ondas de calor na Europa, que já causou prejuízos superiores a 3 bilhões de euros nos cinco países mais afetados em 2026, segundo análise do Financial Times.
O incêndio tem um perímetro estimado em 44 quilômetros, afeta seis municípios e já levou à evacuação de 467 pessoas. Para conter o avanço das chamas, as equipes de combate voltaram a recorrer a queimadas controladas, estratégia usada para eliminar a vegetação que pode servir de combustível ao fogo.
Segundo Sanz, diversas "ilhas de vegetação" permaneceram preservadas dentro da área afetada graças ao trabalho das brigadas. A expectativa é que imagens do sistema europeu de monitoramento por satélite Copernicus permitam uma estimativa mais precisa da área efetivamente queimada, que pode ser menor do que o perímetro atingido pelo incêndio.
Segundo dados do programa Copernicus divulgados pela ministra, a Espanha já registrou quase 200 mil hectares queimados desde o início de 2026, quase seis vezes mais do que no mesmo período do ano passado.
O país também contabiliza 40 grandes incêndios florestais neste ano, ante 15 registrados no mesmo período de 2025.
Os grandes incêndios que atingem países europeus neste verão não deixam apenas cidades evacuadas, casas destruídas e áreas inteiras cobertas por cinzas. Para a fauna, o fogo abre uma crise paralela, que começa com a tentativa de escapar das chamas e pode continuar por meses ou anos, mesmo depois que a vegetação volta a crescer.
E o impacto não é igual para todas as espécies. Animais com maior capacidade de deslocamento, como aves e grandes herbívoros, tendem a conseguir escapar com mais facilidade da trajetória de um incêndio. Répteis, anfíbios e outros animais de menor mobilidade, por outro lado, podem depender de tocas, buracos, pedras ou pequenas áreas de refúgio para sobreviver.
“Costumamos dizer que todo fogo é local”, afirma Marek Smith, diretor do programa de incêndios da América do Norte da organização ambiental The Nature Conservancy e codiretor da The Fire Networks, em entrevista à EXAME.
A expressão resume um dos principais desafios para medir os efeitos ecológicos de grandes queimadas: mesmo dentro de um único incêndio, a intensidade do fogo pode variar significativamente de uma área para outra.
Segundo Smith, uma região pode sofrer danos severos enquanto outra, a poucos quilômetros de distância, permanece relativamente preservada. Esses contrastes podem criar refúgios dentro da própria área atingida e definir quais populações conseguem sobreviver.
Ao mesmo tempo, incêndios de grande escala podem eliminar habitats inteiros, reduzir fontes de alimento, destruir áreas de reprodução e romper corredores usados pelos animais para se deslocar.