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Trump diz que EUA vão governar Venezuela, mas deixa questões em aberto

Americanos prenderam o presidente Nicolás Maduro neste sábado, em uma grande operação militar

Donald Trump, presidente dos EUA, durante entrevista coletiva sobre a Venezuela (Jim Watson/AFP)

Donald Trump, presidente dos EUA, durante entrevista coletiva sobre a Venezuela (Jim Watson/AFP)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de internacional e economia

Publicado em 3 de janeiro de 2026 às 15h26.

A Venezuela vive um sábado de incerteza após os Estados Unidos atacarem o país e capturarem o presidente Nicolás Maduro. Horas depois, o presidente Donald Trump disse que os EUA governarão o país, mas não detalhou como isso se dará de fato.

Assim, até a publicação desta reportagem, não se sabia como esta operação americana vai funcionar, quanto tempo vai durar e nem quem chefia o país a partir de agora.

"Vamos governar o país [run the country, em inglês] até o momento em que possamos fazer uma transição segura, apropriada e justa", disse Trump, em discurso. "Vamos ficar até que uma transição apropriada seja feita. Vamos governar direito e vamos fazer muito dinheiro", afirmou.

O republicano disse ainda "não ter medo" de enviar tropas para a Venezuela, se achar necessário.

Em seguida, o presidente disse que o governo da Venezuela será feito por um "grupo", sem deixar claro quem fará parte dele.

"A designação de pessoas está sendo feita agora. Estamos falando com pessoas. Estamos designando várias pessoas e vamos avisar vocês quem são essas pessoas", disse.

Trump indicou que os secretários de Defesa, Pete Hegseth, e de Estado, Marco Rubio, poderão fazer parte deste grupo, ao lado de cidadãos da Venezuela, sem dizer quem seriam.

Trump disse que Rubio conversou com a vice-presidente de Maduro, Delcy Rodríguez, que não foi presa na ação e que, segundo ele, foi nomeada presidente. "Ela está disposta a fazer o que acharmos necessário para fazer a Venezuela grande de novo", disse.

Não houve menção a Edmundo González, candidato apontado como vencedor das eleições de 2024 pelas atas reunidas pela oposição.

O presidente americano também questionou a capacidade de Maria Corina Machado, principal líder da oposição, assumir o governo. "Seria muito duro para ela ser líder. Ela não tem o apoio ou respeito dentro do país. Ela é uma mulher ótima, mas não tem o respeito", afirmou.

Interesse no petróleo

Ao longo da coletiva, Trump disse várias vezes que os americanos têm grande interesse no petróleo da Venezuela. O país guarda 17% das reservas globais.

Ele disse que as empresas americanas voltarão a atuar no país e vão reconstruir a infraestrutura de extração de petróleo, danificada após anos de sanções americanas, que reduziram o acesso a peças de reposição e a novas tecnologias.

"Vamos reconstruir toda a estrutura do setor de petróleo. Isso será pago pelas companhias de petróleo diretamente. Elas serão reembolsadas pelo que estão fazendo, e vamos ter o petróleo fluindo como deve ser", disse Trump.

Questionado se manteria as vendas de petróleo da Venezuela, ele disse que sim e que o país passará a vender o produto em quantidade muito maior do que antes.

No entanto, para que este cenário se concretize, é preciso ver como as autoridades e funcionários do governo Maduro vão reagir aos planos de Trump. Não está claro se eles vão deixar o país, tentar cooperar com os americanos ou organizar alguma forma de resistência.

Ao mesmo tempo, as últimas ocupações americanas em territórios estrangeiros terminaram mal. Os EUA invadiram o Afeganistão em 2001, permaneceram no país por 20 anos e, logo após sua saída, o grupo Taleban voltou ao poder.

No Iraque, invadido em 2003, foram oito anos até a saída, sem que o país se tornasse estável. Após a retirada dos EUA, o grupo terrorista Estado Islâmico tomou o controle de várias cidades do país, o que demandou uma nova operação militar americana.

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