Mundo

Socialistas espanhóis sofrem derrota, premiê rejeita renúncia

Votações deixaram o partido de esquerda governista de fora em quase todas as regiões da Espanha

Além do fiasco nas eleições, governo espanhol enfrenta onda de protestos por conta do desemprego (Denis Doyle/Getty Images)

Além do fiasco nas eleições, governo espanhol enfrenta onda de protestos por conta do desemprego (Denis Doyle/Getty Images)

DR

Da Redação

Publicado em 23 de maio de 2011 às 14h36.

Madri - Os governistas do Partido Socialista espanhol ainda estão atordoados nesta segunda-feira com as derrotas pesadas nas eleições locais, e agora precisam equilibrar a revolta pelo alto desemprego expressa nos votos e as exigências dos investidores por medidas de austeridade.

Uma semana de protestos de espanhóis fartos com a economia estagnada e a taxa de desemprego mais alta da União Europeia antecedeu o pleito de domingo, que deixou os Socialistas fora do poder na maioria das cidades do país e em quase todas as 17 regiões autônomas.

Na noite de domingo, o primeiro-ministro José Luis Rodriguez Zapatero admitiu que sua sigla, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), sofreu uma derrota pesada, mas disse que planeja continuar até o final de seu mandato em março do ano que vem.

O Partido Popular (PP), opositor de centro-direita, pediu várias vezes nos últimos meses que os Socialistas renunciem, mas o líder Mariano Rajoy não clamou por eleições antecipadas em um comício de comemoração na noite de domingo.

Os socialistas evitaram a perda de votos no orçamento e a convocação de uma votação antecipada graças ao apoio de pequenos partidos como o Nacionalista Basco (PNV na sigla em espanhol).

"O PSOE irá se manter como governo de minoria até quando puder... fazendo acordos com o PNV, por exemplo, que tem mais poder", disse David Bach, professor de Estratégia e Ambiente Econômico na Escola de Negócias IE de Madri.

O PP arrebatou vários bastiões socialistas, incluindo a cidade de Sevilha e a região de Castilla-La Mancha, ambas particularmente assoladas pelo desemprego.

No cômputo geral das votações municipais pelo país o PP obteve uma vantagem de 10 pontos percentuais sobre os Socialistas, que não sofriam uma derrota tão grande nas eleições municipais desde o retorno da democracia à Espanha em 1978 na esteira do fim da ditadura de Franco.


Os espanhóis foram pacientes durantes três anos de turbulência econômica, mas a paciência acabou na véspera do pleito, quando dezenas de milhares de manifestantes, sobretudo jovens, tomaram as ruas de cidades por todo o país.

O PP tentará aproveitar o clímax da vitória de domingo para vencer em âmbito nacional, mas não tem assentos suficientes no Parlamento para impor um voto de desconfiança e pode ter que esperar.

Enquanto isso, os socialistas têm que escolher um sucessor para Zapatero, que disse que não irá concorrer a um terceiro mandato. O vice-primeiro-ministro, Alfredo Perez Rubalcaba, e a ministra da Defesa, Carme Chacón, são candidatos.

Analistas dizem que a permanência de Zapatero pode dar mais tempo para a economia se recuperar e fortalecer as chances de uma nova vitória dos Socialistas, ou pelo menos limitar os ganhos do Partido Popular.

"Estão esperando a chuva passar. Se a economia melhorar no terceiro trimestre e o desemprego também, podem dizer que é por causa de suas reformas econômicas", disse Antonio Barroso, analista da empresa de consultoria Eurasiagroup, que também vê Zapatero no cargo até março.

Acompanhe tudo sobre:DesempregoEspanhaEuropaPiigsPolítica no BrasilProtestos

Mais de Mundo

Apagão cibernético: Governos descartam suspeitas de ataques hacker e mantêm contatos com Microsoft

Apagão cibernético já gerou cancelamento de quase 1.400 mil voos pelo mundo; veja situação por país

António Guterres se diz "decepcionado" após Parlamento de Israel votar contra Estado palestino

Parlamento de Israel votou contra criação de Estado palestino por considerar 'ameaça existencial'

Mais na Exame