Ucrânia: pelo menos quatro pessoas foram mortas e outras 24 ficaram feridas no ataque (SERHII OKUNEV/AFP)
Redação Exame
Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 08h02.
A Rússia bombardeou a Ucrânia na noite de quinta-feira, 8, com um míssil balístico hipersônico Oreshnik, informou nesta sexta-feira, 9, o Ministério da Defesa de Moscou.
Em nota, o Ministério diz que Moscou atingiu ontem à noite "infraestrutura vital no território da Ucrânia" tanto com mísseis de médio e longo alcance de lançamento terrestre e marítimo, quanto com drones, que teriam alcançado seus alvos.
O comunicado militar explica que a operação é uma "resposta ao ataque terrorista do regime de Kiev contra a residência do presidente da Rússia na região de Novgorod, perpetrado em 29 de dezembro".
Segundo Kiev, pelo menos quatro pessoas foram mortas e outras 24 ficaram feridas no ataque. O presidente ucraniano Volodimir Zelensky confirmou que pelo menos 20 edifícios residenciais em Kiev e arredores foram atingidos, assim como a Embaixada do Catar.
O presidente detalhou que, durante a noite, a Rússia atacou o território ucraniano com 242 drones, 13 mísseis balísticos direcionados contra instalações energéticas e infraestruturas civis, um míssil balístico de médio alcance Oreshnik e 22 mísseis de cruzeiro.
Alguns bairros da capital ficaram mergulhados na escuridão durante o que o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, descreveu como um “intenso ataque com mísseis inimigos”.
Esta é a segunda vez que Moscou utiliza o míssil Oreshnik para atacar a Ucrânia, que negou em todos os momentos ter atacado a residência de Putin, ponto que também foi posto em dúvida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O Kremlin acusou Kiev de sabotar, com tal ataque, as negociações de paz, embora os aliados do presidente ucraniano tenham respondido que é Moscou quem se recusa a interromper os combates até alcançar a capitulação do inimigo.
O Oreshnik, que Putin anunciou que entraria em serviço no final de 2025, foi utilizado pela primeira vez em dezembro de 2024 contra uma fábrica militar na região ucraniana de Dnipropetrovsk.
Este míssil, de médio alcance e que pode carregar ogivas nucleares, poderia teoricamente atingir alvos situados a milhares de quilômetros de distância com uma margem de erro de apenas algumas dezenas de metros.
Putin, que ressalta que a prioridade da doutrina nuclear russa é manter a paridade estratégica com os EUA, assegura que o armamento hipersônico russo não tem paralelo no mundo.
Os militares ucranianos sugeriram que o Exército russo poderia ter utilizado o Oreshnik para atingir alvos energéticos na região ocidental de Lviv, fronteiriça com a Polônia.
O presidente da Ucrânia pediu nesta sexta-feira uma reação clara, sobretudo por parte dos Estados Unidos, ao ataque massivo contra o território ucraniano.
"É necessária uma reação clara por parte do mundo. Sobretudo por parte dos Estados Unidos, cujos sinais a Rússia realmente leva em conta. A Rússia deve receber sinais de que é sua obrigação focar na diplomacia, e deve sentir as consequências toda vez que voltar a focar em assassinatos e na destruição de infraestruturas", escreveu Zelensky na rede social X.
O presidente acrescentou que este novo ataque serve como um lembrete muito claro aos parceiros da Ucrânia de que apoiar a defesa aérea do país invadido é uma prioridade permanente e ressaltou que "em entregas, em produção ou em acordos não se pode perder nem um só dia".
Zelensky indicou que, ao longo desta sexta-feira, informará seus parceiros em todos os níveis sobre o ocorrido e as medidas de resposta necessárias.
"O ataque ocorreu precisamente durante uma importante onda de frio. Direcionado precisamente contra a vida normal das pessoas comuns", denunciou. Ele assegurou que está sendo feito todo o possível para restabelecer o fornecimento de aquecimento e eletricidade para a população.
A Ucrânia e seus aliados ocidentais concordaram nesta semana que a Europa deslocará tropas para o território ucraniano após um eventual cessar-fogo.
Moscou, que tenta impedir que a Ucrânia se una à Otan, insiste em rejeitar a mobilização de forças ocidentais neste país e disse na quinta-feira que essas tropas seriam consideradas “alvos militares legítimos”.
*Com informações de AFP e EFE