Rússia alerta EUA sobre perigo de desvio em acordo nuclear com Irã

Representante russo afirmou que alterações no acordo nuclear podem trazer consequências negativas para a segurança da região e do mundo

Genebra - A Rússia alertou nesta terça-feira sobre o perigo de ocorrer, unicamente no "interesse de alguém", "qualquer desvio, violação ou descumprimento" do acordo nuclear firmado em 2015 entre o Irã e diversos países, em referência clara aos Estados Unidos.

"Qualquer tentativa de emendar esse texto em benefício de alguém afetará o regime mundial de não proliferação (nuclear) e terá consequências muito negativas para a estabilidade e a segurança da região e do mundo", disse o representante russo no comitê preparatório da Conferência de Revisão do Tratado de Não Proliferação de Armas Atômicas para 2020 realizado em Genebra.

O chefe da delegação russa, Vladimir Yermakov, declarou que o país continuará a cumprir os compromissos assumidos como parte desse acordo - junto com França, Reino Unido, Estados Unidos, China, Alemanha e União Europeia - "desde que os demais também o façam".

O governo de Donald Trump ameaçou sair do acordo e exigiu à UE - que o defende - que pressione Teerã para que sejam feitas modificações que Washington acredita serem necessárias.

"Hoje pedimos a nossos colegas nesta sala para que não se calem com a esperança que a situação será resolvida por si só e que façam esforços claros para preservar o acordo", disse o representante russo.

A Rússia anunciou que apresentará com a China uma proposta de declaração de apoio ao acordo nuclear com o Irã para que seja adotada durante esta conferência.

Yermakov afirmou que o futuro desse acordo influenciará diretamente nos esforços que estão sendo feitos para resolver a ameaça de uma conflagração nuclear na península coreana.

"A violação do acordo com o Irã, sem nenhum motivo e contra a vontade da comunidade internacional, fará um desserviço à confiança em relação à Coreia do Norte de que qualquer potencial acordo futuro será respeitado", afirmou.

Além disso, a Rússia denunciou na mesma sessão a decisão dos EUA de retirar o apoio à ratificação do tratado para proibir os testes nucleares, "criando assim as condições para retomar essas provas".

"Devemos entender que se o exemplo dos EUA fosse seguido por outros Estados cuja ratíficação é requerida para que esse tratado entre em vigor, isso deixaria o caminho livre para uma corrida sem limites de armamento nuclear", alertou Yermakov.

O tratado para proibir os testes nucleares foi assinado por 183 Estados, dos quais 166 o ratificaram, mas para que entre em vigor é necessário que 44 países com capacidade energética e científica nuclear deem este último passo.

Entre os principais países que nem sequer assinaram o tratado estão Índia, Paquistão e Coreia do Norte, enquanto EUA, Israel, Irã e China, entre outros, não o ratificaram. A Rússia completou esse trâmite no ano 2000.

 

Obrigado por ler a EXAME! Que tal se tornar assinante?


Tenha acesso ilimitado ao melhor conteúdo de seu dia. Em poucos minutos, você cria sua conta e continua lendo esta matéria. Vamos lá?


Falta pouco para você liberar seu acesso.

exame digital

R$ 12,90/mês
  • Acesse onde e quando quiser.

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.
Assine

exame digital + impressa

R$ 29,90/mês
  • Acesse onde e quando quiser

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.

  • Edição impressa mensal.

  • Frete grátis
Assine

Já é assinante? Entre aqui.