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Rapper é favorito para se tornar novo premiê do Nepal

Nas primeiras eleições para primeiro-ministro do Nepal após os violentos protestos que derrubaram o regime anterior, Balendra Shah saiu na frente

Balendra Shah, candidato do Partido Rastriya Swatantra (RSP) e ex-prefeito de Katmandu, tira uma selfie com crianças e apoiadores durante campanha (Prakash Mathema/AFP)

Balendra Shah, candidato do Partido Rastriya Swatantra (RSP) e ex-prefeito de Katmandu, tira uma selfie com crianças e apoiadores durante campanha (Prakash Mathema/AFP)

Publicado em 26 de fevereiro de 2026 às 06h02.

Balendrah Shah, 35, um rapper e prefeito da capital do Nepal, Kathmandu, se torna favorito para o posto de premiê após uma violenta onda de protestos protagonizados por jovens da Geração Z que derrubou o regime anterior de K.P Sharma Oli.

"Querida Geração Z, a renúncia do seu assassino chegou", escreveu Shah, popularmente conhecido apenas como Balen, seu nome artístico, no X, após a queda do regime antigo. "Agora, sua geração terá que liderar o país. Estejam preparados."

Apesar de não haver pesquisas amplas e confiáveis sobre a preferência eleitoral no pequeno país entre a China e a Índia, analistas políticos e a mídia local acreditam que ele seja a escolha favorita entre os eleitores, compostos, em grande parte, pelos mesmos jovens que protagonizaram os intensos protestos em setembro de 2025. A eleição está marcada para 5 de março. 

"Balen Shah é tão popular que agora os ônibus que chegam a Kathmandu têm adesivos dizendo: 'A caminho da cidade de Balen'", disse à Reuters Bipin Adhikari, especialista em direito constitucional e professor da Universidade de Kathmandu.

Shah como político e o RSP

Em um cenário político dominado por partidos já estabelecidos, Shah fez história ao se tornar prefeito da capital concorrendo independentemente, e sua ascensão ao cargo de primeiro-ministro poderia significar uma mudança radical na política do Nepal.

Agora, Shah é o candidato a premiê de um novo partido centrista, o Rastriya Swatantra (RSP). O RSP diz em seu manifesto que defenderá “relações estrangeiras balanceadas” com a China e a Índia, marcando um distanciamento da polaridade política do país, cujos partidos geralmente se inclinam mais em direção a um dos dois grandes vizinhos.

O manifesto do RSP promete criar, ainda, 1,2 milhão de empregos, em um esforço para abordar as maiores frustrações e preocupações dos nepaleses, que giram em torno de desemprego, falta de oportunidades e baixos salários, o que levou milhões de nepaleses a buscar oportunidades no exterior.

Ainda por cima, promete aumentar a renda per capita do Nepal de US$ 1.447 para US$ 3.000, o que equivale a mais do que dobrar a economia da nação para um PIB de US$ 100 bilhões e fornecer seguros a toda a população, tudo isso em apenas 5 anos.

Uma grande parte do apelo da candidatura de Shah vem do seu trabalho como líder da capital, onde conduziu extensos projetos de infraestrutura urbana, como melhorias na coleta e administração de lixo, e garantiu o funcionamento e acessibilidade dos serviços de saúde.

Todavia, enfrentou críticas, inclusive da organização sem fins lucrativos Human Rights Watch, que observa a situação dos direitos humanos pelo mundo, por supostamente ter feito uso da polícia para confiscar as propriedades de vendedores ambulantes e remover sem-tetos das ruas, a fim de concluir seus projetos.

Shah renunciou ao cargo de prefeito de Kathmandu para focar nas eleições gerais, e, como é seu costume, evita a mídia tradicional, se comunicando principalmente por suas ativas redes sociais – que já juntam mais de 3,5 milhões de seguidores – o que permite uma conexão mais direta com sua jovem base eleitoral.

Nas últimas semanas, suas plataformas no X e no Facebook foram inundadas com uma coleção de suas fotos em campanha, frequentemente com seus famosos óculos escuros e barba grisalha.

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