Virginia Giuffre e Andrew: príncipe teria tido relações não consensuais com jovem de 17 anos (Reprodução)
Repórter
Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 10h28.
Última atualização em 19 de fevereiro de 2026 às 10h50.
A vida de Virginia Giuffre foi marcada por um dos escândalos mais explosivos das últimas décadas e que tem ganhado ainda mais espaço nas últimas semanas.
De adolescente anônima recrutada para o círculo de Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell a uma das vozes mais reconhecidas na denúncia de abuso e tráfico sexual, ela colocou no centro do debate internacional nomes ligados ao poder político, financeiro e à própria realeza britânica — como o ex-príncipe Andrew, irmão do Rei Charles.
Nesta quinta-feira, 19, o caso ganhou um novo desdobramento com a prisão de Andrew, no dia em que ele completa 66 anos.
A detenção ocorreu após o que autoridades classificaram como uma “avaliação minuciosa” no âmbito de investigações relacionadas ao escândalo Epstein.
Caso Epstein: documentos revelam que bilionário americano tinha CPF brasileiroO Palácio de Buckingham informou que iniciou processo formal para retirada de títulos e honrarias remanescentes, e Andrew passou a ser identificado apenas como Andrew Mountbatten Windsor.
Ele também foi notificado a deixar a Royal Lodge, residência vinculada à família real, para se mudar para um imóvel privado.
Nascida Virginia Louise Roberts, em 9 de agosto de 1983, em Sacramento, na Califórnia, ela cresceu na Flórida em um ambiente que, segundo seu próprio relato, foi marcado por instabilidade e violência. Giuffre morreu em 25 de abril de 2025, na Austrália, aos 41 anos.
Em sua autobiografia póstuma, Nobody’s Girl, Giuffre afirmou ter sido vítima de abuso sexual ainda na infância.
Ela acusou o pai e um amigo da família de agressões e exploração, alegações negadas por seu pai.
No livro, descreve ter sido rotulada como “problemática” e enviada para uma instituição de disciplina rígida voltada a adolescentes considerados fora de controle.
Após fugir de casa, relatou ter sido aliciada por um homem mais velho que se apresentava como agente de modelos, que teria iniciado seu processo de exploração.
Virginia Giuffre segura uma foto de si mesma mais jovem. (Miami Herald / Colaborador/Getty Images)
Segundo suas declarações públicas, foi assim que passou a trabalhar em empregos informais até chegar ao spa do resort Mar-a-Lago, do qual o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é dono desde 1985. Foi lá que Giuffre conheceu Ghislaine Maxwell, apontada como braço-direito de Epstein.
Anos depois, Giuffre mudou-se para a Austrália, onde se casou com Robert Giuffre, instrutor de artes marciais, com quem teve filhos e construiu uma vida fora dos Estados Unidos. Em entrevistas anteriores, descreveu o marido como figura de apoio durante parte de sua recuperação.
No entanto, nos meses que antecederam sua morte, vieram a público relatos de tensão conjugal. Segundo informações divulgadas posteriormente, Giuffre teria acusado o marido de violência doméstica e estava em processo de revisão de trechos do livro que o retratavam positivamente.
O prefácio da obra, escrito pela coautora, menciona que a narrativa sobre o casamento estava sendo reconsiderada quando ela morreu.
Segundo Giuffre, ela trabalhava como atendente de spa no resort Mar-a-Lago, na Flórida, quando foi abordada por Ghislaine Maxwell, em 2000. Ela afirmou que Maxwell a recrutou para trabalhar para Epstein, inicialmente com o pretexto de se tornar uma massagista.
De acordo com suas declarações públicas, pouco tempo depois dos primeiros encontros com Epstein, foi inserida em uma rede de tráfico sexual operada pelo financista.
Caso Epstein: os principais pontos revelados pelos novos arquivosAfirmou que, a partir dos 16 ou 17 anos, foi forçada a manter relações sexuais com Epstein e com outros homens influentes — incluindo Andrew.
Foto policial de Jeffrey Epstein ( Kypros/Getty Images)
Epstein foi condenado por crimes sexuais e morreu na prisão, em 2019. Maxwell foi posteriormente condenada por tráfico de menores e segue presa.
Entre as acusações mais conhecidas de Giuffre está a que envolve o príncipe Andrew, filho da rainha Elizabeth II.
Giuffre alegou que Epstein e Maxwell a levaram para encontros com Andrew em três ocasiões: em Londres, em Nova York e na ilha privada de Epstein, nas Ilhas Virgens.
Segundo Virginia Giuffre, ela tinha 17 anos quando ocorreu o primeiro encontro com o príncipe Andrew.
Giuffre relatou que foi apresentada a Andrew na casa de Ghislaine Maxwell, em Londres, e que depois teria saído com ele para a boate Tramp.
Príncipe Andrew negou as afirmações de que teria feito sexo com Virginia Giuffre (AFP/AFP)
No local, descreveu que dançaram e que ele “suava profusamente”, ponto que confronta a afirmação do príncipe de que, à época, sofria de uma condição médica que o impedia de suar. Após a ida à casa noturna, ela afirmou que retornaram à residência de Maxwell, onde teria acontecido uma relação sexual forçada.
Ela também declarou que, após um desses encontros, recebeu US$ 15 mil de Epstein pelo que descreveu como “serviço” prestado a Andrew. Giuffre mencionou ainda outros dois episódios: um na casa de Epstein, em Nova York, e outro na ilha privada do financista, nas Ilhas Virgens.
Um dos elementos mais conhecidos do caso é a fotografia divulgada publicamente em que Giuffre aparece ao lado de Andrew, com Ghislaine Maxwell ao fundo, em um imóvel em Londres.
A imagem foi apresentada por Giuffre como prova de que o encontro realmente aconteceu. Andrew, em entrevista à BBC, afirmou não se lembrar de ter conhecido Giuffre e chegou a questionar a autenticidade da foto, sugerindo que poderia ser manipulada, embora posteriormente tenha dito não ter evidências de que fosse falsa.
Andrew sempre negou as acusações e declarou não ter nenhuma memória de ter se encontrado com Giuffre.
Em 2021, ela entrou com ação civil contra ele em Nova York. O processo foi encerrado em fevereiro de 2022 por meio de um acordo extrajudicial.
O príncipe não admitiu culpa, mas concordou em pagar uma quantia não divulgada e realizar uma doação substancial a uma organização ligada à defesa de vítimas de abuso.
Ao longo dos anos, Giuffre tornou-se uma das sobreviventes mais visíveis do caso Epstein.
Concedeu entrevistas a veículos internacionais e fundou a organização Victims Refuse Silence, posteriormente rebatizada como Speak Out, Act, Reclaim (SOAR).
Jeffrey Epstein: quem foi o financista americano acusado de tráfico sexual de menoresEm suas declarações, defendia que Andrew e outras figuras ligadas ao círculo de Epstein cooperassem plenamente com investigações.
Para ela, o caso representava um sistema no qual poder político e influência social protegiam abusadores.
O caso Epstein revelou uma rede internacional de tráfico sexual de menores liderada pelo financista, que durante anos manteve relações próximas com integrantes da elite política, empresarial e social dos Estados Unidos e da Europa.
Sua fortuna, de origem pouco clara, lhe garantiu acesso a ex-presidentes americanos, membros da família real britânica e bilionários do setor de tecnologia.
Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell em 2005 (Joe Schildhorn/Patrick McMullan/Getty Images)
Segundo as investigações, Epstein recrutava adolescentes — muitas delas em situação de vulnerabilidade — sob promessas de trabalho ou dinheiro, frequentemente usando o pretexto de oferecer “massagens”. Os abusos teriam ocorrido em propriedades de luxo em Nova York, Flórida, Novo México, Ilhas Virgens Americanas e Paris, além de sua ilha particular no Caribe, que ficou conhecida como “Ilha do Pecado”.