Putin diz que Rússia espera colheita recorde de grãos de 150 milhões de toneladas em 2022

A Rússia acusa os países ocidentais há vários meses de dificultar suas exportações de alimentos e fertilizantes, o que, segundo Moscou, cria um risco para a segurança alimentar
Putin indicou que 138,7 milhões de toneladas de cereais já foram colhidas (MIKHAIL KLIMENTYEV / Colaborador/Getty Images)
Putin indicou que 138,7 milhões de toneladas de cereais já foram colhidas (MIKHAIL KLIMENTYEV / Colaborador/Getty Images)
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AFPPublicado em 27/09/2022 às 14:11.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta terça-feira, 27, que espera que seu país registre uma colheita recorde de 150 milhões de toneladas de grãos em 2022, em um momento em que Moscou enfrenta obstáculos à exportação pelas sanções ocidentais.

Putin indicou que 138,7 milhões de toneladas de cereais já foram colhidas. "As estimativas preliminares (para 2022) já estão em 150 milhões, incluindo 100 milhões de toneladas de trigo. Isso será um recorde na história da Rússia", disse o presidente em uma reunião do governo transmitida pela televisão.

A Rússia, um dos maiores produtores de grãos do mundo, acusa os países ocidentais há vários meses de dificultar suas exportações de alimentos e fertilizantes, o que, segundo Moscou, cria um risco para a segurança alimentar.

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De acordo com a Rússia, embora as sanções tomadas pelos Estados Unidos e Europa para puni-la por sua ofensiva na Ucrânia não apontem diretamente para seu setor agrícola, acabam dificultando o financiamento e venda de suas exportações, visando bancos e empresas de transporte.

"As entregas de grãos e fertilizantes no exterior continuam difíceis", lamentou Putin. "As sanções contra a Rússia podem agravar a situação e levar a uma crise alimentar global", alertou.

Putin criticou fortemente um acordo concluído em julho em Istambul que possibilitou desbloquear a exportação de grãos ucranianos. Segundo ele, esses grãos vão principalmente para os países europeus e não para os mais pobres.

"Os cereais ucranianos continuam ignorando os países mais pobres. Em 23 de setembro, apenas quatro navios de 203 foram para esses países", disse o presidente russo.

A Ucrânia e os países europeus rejeitam essas acusações.

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