Presidente colombiano contatou líder falecido das Farc

"A pessoa que indiretamente se comunicou comigo foi o número um da guerrilha, seu líder" (Alfonso Cano), afirmou Santos em um colóquio na Universidade do Kansas

Bogotá – O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, revelou esta segunda-feira ter iniciado contatos para um diálogo com as Farc no começo do seu governo (2010) através de mensagens trocadas com o então líder guerrilheiro Alfonso Cano, que em seguida foi morto em uma operação autorizada pelo próprio chefe de Estado.

“A pessoa que indiretamente se comunicou comigo foi o número um da guerrilha, seu líder” (Alfonso Cano), afirmou Santos em um colóquio na Universidade do Kansas, nos Estados Unidos, segundo informe divulgado pela sede da Presidência, em Bogotá.

De acordo com o presidente, no começo foram trocadas mensagens em que Cano se mostrou interessado em conversar e possivelmente negociar.

A estas colocações, Santos disse ter respondido afirmativamente, com duas condições, “que fosse completamente confidencial (a aproximação) até que os dois decidamos que vamos torná-la pública”.

O presidente admitiu que pouco depois teve que tomar decisões mais difíceis, quando o Exército comunicou que tinha cercado o líder rebelde, pois o conflito não mudaria até que as duas partes, governo e guerrilha, decisissem começar o processo de negociação.

“Eu ordeneu que perseguiríamos os cabeças da guerrilha e eu tive que tomar uma decisão muito difícil; tínhamos cercado este líder. O que fazemos? Eu disse: regras são regras, se queremos ser bem sucedidos temos que ser claros nas regras do jogo e perseverar”, afirmou.

“Estas decisões foram muito difíceis, mas eu estou certo de que é uma das razões pelas quais agora estamos negociando”, disse Santos, ao fazer alusão à morte de Cano e dos outros líderes rebeldes.

Cano, que tinha assumido o comando das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) à morte do fundador e então máximo chefe do grupo rebelde, Manuel Marulanda, aliás ‘Tiro certo’, em maio de 2008, foi morto em uma operação do Exército, no departamento (estado) de Cauca (sudoeste) em 4 de novembro de 2011.

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