Mundo

ONU lamenta casos de abuso sexual envolvendo agentes de paz

O secretário-geral da Organização disse em seu discurso que o surto de cólera no Haiti e as denúncias de abuso "mancharam a reputação da ONU"


	ONU: "os desprezáveis atos de exploração e abuso sexual agravaram o sofrimento de pessoas que já estavam no meio de um conflito armado", completou o secretário
 (Mike Segar / Reuters)

ONU: "os desprezáveis atos de exploração e abuso sexual agravaram o sofrimento de pessoas que já estavam no meio de um conflito armado", completou o secretário (Mike Segar / Reuters)

DR

Da Redação

Publicado em 20 de setembro de 2016 às 13h32.

Nova York - O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, lamentou nesta terça-feira os casos de abuso sexual envolvendo as forças da paz da ONU na República Centro-Africana e um surto de cólera no Haiti, durante seu discurso final no encontro anual de líderes mundiais em Nova York.

Ban disse à Assembleia Geral da ONU que essas duas questões "mancharam a reputação da Organização das Nações Unidas e, ainda pior, traumatizaram muitas pessoas a quem servimos". Ban deixa o cargo no final de 2016, após servir dois mandatos de cinco anos.

A ONU prometeu reprimir abusos após as forças de paz da terem sido acusadas de cometer dezenas de abusos sexuais na República Centro-Africana, onde tropas da ONU assumiram a autoridade de tropas da União Africana em setembro de 2014.

A ONU atualmente possui 106 mil militares e policiais em 16 missões de paz.

"Os desprezáveis atos de exploração e abuso sexual cometidos por diversos membros das forças da paz da ONU e outros funcionários agravaram o sofrimento de pessoas que já estavam no meio de um conflito armado, e prejudicaram o trabalho feito por muitas pessoas ao redor do mundo", disse Ban.

"Protetores nunca devem se tornar predadores", disse.

Sobre Haiti, Ban trabalha em uma nova resposta ao surto de cólera. O país estava livre da cólera até 2010, quando membros das forças de paz da ONU despejaram dejetos infectados em um rio.

"Sinto tremendo remorso e tristeza com o profundo sofrimento de haitianos afetados pelo cólera", disse Ban. "Vamos trabalhar juntos para cumprir nossas obrigações com o povo haitiano".

Ele disse que é "responsabilidade moral" da ONU fazer isso. Um estudo de 2011 do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos disse que forças de paz da ONU provenientes do Nepal, onde o cólera é endêmico, devem ter causado o surto no Haiti.

Desde então, mas de 9 mil pessoas morreram da doença que causa diarréia incontrolável e 800 mil pessoas adoeceram, a maioria nos primeiros dois anos do surto.

A ONU não aceitou legalmente a responsabilidade pelo surto. Um comitê independente indicado por Ban divulgou um relatório em 2011 que não determinou conclusivamente como o cólera foi introduzido no Haiti. (Reportagem de Michelle Nichols)

Acompanhe tudo sobre:abuso-sexualCóleraCrimeDoençasEpidemiasONU

Mais de Mundo

Serviço Secreto dos EUA descobre plano do Irã para assassinar Trump, diz CNN; segurança é reforçada

Homem é morto a tiros por policial perto da Convenção Republicana

'Mal posso esperar para o 2º debate contra Biden', diz estrategista de Trump

Participantes do comício de Trump avistaram atirador quase 2 minutos antes dos disparos

Mais na Exame