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Nobel da Paz Narges Mohammadi é condenada a sete anos e meio de prisão no Irã

Ativista e Nobel da Paz de 2023 foi condenada por acusações de conspiração e propaganda contra o regime

Narges Mohammadi: vencedora do Nobel da Paz cumpre nova condenação no Irã  (AFP/AFP)

Narges Mohammadi: vencedora do Nobel da Paz cumpre nova condenação no Irã (AFP/AFP)

Isabela Rovaroto
Isabela Rovaroto

Repórter de Negócios

Publicado em 8 de fevereiro de 2026 às 16h58.

A ativista iraniana Narges Mohammadi, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, foi condenada a sete anos e meio de prisão por um tribunal revolucionário do Irã, em mais uma sentença contra a dissidente, presa desde 2021. Esta é a décima condenação imposta à ativista.

Segundo informou neste domingo seu advogado, Mostafa Nili, em publicação na rede social X, Mohammadi recebeu seis anos de prisão por acusações de “reunião e conluio contra a segurança nacional” e um ano e meio por “atividade de propaganda contra o sistema”.

Como pena complementar, foi determinada ainda a proibição de deixar o país por dois anos.

De acordo com a defesa, a sentença foi comunicada após um telefonema feito pela própria ativista nesta manhã — o primeiro contato desde que foi detida há 59 dias.

Na ligação, Mohammadi relatou que havia sido transferida na véspera para a primeira vara do Tribunal Revolucionário de Mashhad, no nordeste do país, onde ocorreu a audiência que resultou na condenação.

A ativista também informou que, há três dias, precisou ser levada a um hospital devido ao agravamento de seu estado de saúde. Segundo o advogado, a ligação foi interrompida no momento em que ela começava a relatar as circunstâncias de sua prisão.

Nili afirmou ainda que, após a sentença, Mohammadi deverá ser transferida para uma prisão comum, conforme a legislação iraniana, mas defendeu sua libertação. “Em vista de suas doenças, espera-se que seja ordenada sua libertação temporária sob fiança para que possa receber tratamento médico”, declarou.

Mohammadi foi detida de forma violenta em meados de dezembro, ao lado de outros ativistas, durante uma cerimônia fúnebre de um advogado na cidade de Mashhad, segundo denúncia feita por familiares.

Há seis dias, ela iniciou uma greve de fome para protestar contra sua detenção, período em que permaneceu, segundo a defesa, “em isolamento absoluto e com o corte total de comunicações”.

A nova condenação ocorre após os protestos que abalaram o Irã entre dezembro e janeiro, inicialmente motivados pela desvalorização do rial e que rapidamente se transformaram em manifestações contra a República Islâmica. As mobilizações foram reprimidas com violência pelas autoridades.

O governo iraniano reconhece a morte de 3.117 pessoas, número que atribui a ações ligadas aos Estados Unidos e a Israel. Já a ONG de oposição HRANA, com sede nos EUA, estima 6.961 mortos, além de mais de 11 mil casos ainda em verificação e cerca de 51 mil prisões.

No contexto dessa repressão, outros ativistas de direitos humanos também foram detidos, entre eles o roteirista Mehdi Mahmoudian, indicado ao Oscar pelo filme Foi Apenas um Acidente, além de Vida Rabbani, Abdullah Momeni e Ghorban Behzadian-Nejad.

Mohammadi estava em liberdade condicional desde dezembro de 2024, quando foi solta por motivos médicos. No fim de novembro, ela denunciou que as autoridades iranianas haviam imposto uma proibição permanente de saída do país e se recusavam a emitir passaporte para que pudesse visitar seus dois filhos, que vivem no exterior e a quem não vê há 11 anos.

Ao longo de sua trajetória, a ativista foi detida 13 vezes, condenada em nove e presa pela última vez em 2021. Mesmo encarcerada, continuou denunciando violações de direitos humanos no Irã, incluindo a aplicação da pena de morte e a violência contra mulheres que desafiam o uso obrigatório do véu islâmico.

Em 2023, o Comitê Nobel Norueguês concedeu o Prêmio Nobel da Paz a Narges Mohammadi “por sua luta contra a opressão das mulheres no Irã e pela promoção dos direitos humanos e da liberdade para todos”.

(Com informações da EFE)

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