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Não estamos em guerra com Venezuela nem ocupando o país, diz EUA na ONU

O embaixador dos Estados Unidos afirmou no Conselho de Segurança que Maduro enriqueceu "às custas do sofrimento de americanos e venezuelanos"

Mike Waltz: representante americano reafirmou a posição do país contra a Venezuela (SPENCER PLATT / GETTY IMAGES NORTH AMERICA/Getty Images)

Mike Waltz: representante americano reafirmou a posição do país contra a Venezuela (SPENCER PLATT / GETTY IMAGES NORTH AMERICA/Getty Images)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 14h21.

O embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz, negou nesta segunda-feira, 5, durante seu discurso Conselho de Segurança da ONU que governo americano esteja em guerra contra a Venezuela e afirmou que não há uma ocupação do país.

"Como disse o Secretário Rubio, não há guerra contra a Venezuela ou seu povo. Não estamos ocupando país algum", afirmou Waltz.

A declaração ocorre dois dias após a operação militar que resultou na prisão do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Celia Flores, levados aos EUA para julgamento por crimes de narcoterrorismo.

O episódio desencadeou reações de aliados do governo venezuelano e abriu uma nova frente de tensões diplomáticas no Conselho de Segurança. Uma reunião de emergência foi convocada a pedido da Colômbia.

Segundo Waltz, a ação foi uma “operação cirúrgica de aplicação da lei”, conduzida pelas Forças Armadas dos EUA, que teria como base acusações legais “existentes há décadas” contra Maduro e Flores.

Ambos foram formalmente indiciados em Nova York por envolvimento em conspirações de tráfico internacional de drogas, armas e terrorismo.

"Os Estados Unidos prenderam um narcotraficante que agora enfrentará julgamento, de acordo com o Estado de Direito, pelos crimes cometidos contra nosso povo", disse o embaixador.

"Esta foi uma operação legal, como a que ocorreu com Manuel Noriega, no Panamá, em 1989", afirmou.

Waltz rejeitou a legitimidade do governo Maduro, afirmando que mais de 50 países, incluindo Estados Unidos, União Europeia e nações latino-americanas, não reconheceram os resultados das eleições venezuelanas de 2024.

O embaixador declarou ainda que Maduro é o líder do Cartel de los Soles, organização que, segundo ele, coopera com grupos criminosos como o Tren de Aragua, designado pelos EUA como organização terrorista estrangeira.

Waltz afirmou que Maduro enriqueceu "às custas do sofrimento de americanos e venezuelanos", facilitando o tráfico de "centenas de toneladas de drogas" para os EUA e Europa.

O embaixador também acusou o regime venezuelano de colaborar com organizações como o Hezbollah e autoridades iranianas, e de transformar a Venezuela em uma "base de operações de adversários dos EUA".

“O Ocidente é onde vivemos. Não vamos permitir que o hemisfério seja usado como base de nossos adversários”, declarou. “Não se pode ter as maiores reservas de energia do mundo sob o controle de líderes ilegítimos, sem beneficiar o povo da Venezuela.”

O discurso norte-americano também fez menção a um relatório da ONU, publicado em 2025, que identificava a Venezuela como rota estratégica para o tráfico de cocaína rumo aos Estados Unidos e à Europa.

“O povo da Venezuela, inclusive na Flórida, onde vivem centenas de milhares de exilados, celebra esse momento”, disse. “Maduro recusou todas as tentativas de diplomacia. Agora, ele responderá por narcoterrorismo.”

Conselho de Segurança da ONU discute Venezuela

O Conselho de Segurança é o único órgão da ONU com poder de usar a força militar. No, entanto, suas decisões podem ser vetadas pelos membros-fundadores. Os EUA são um deles, o que deve impedir medidas contra o país pela invasão da Venezuela.

No sábado, 3, forças americanas invadiram a Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro. Ele foi levado para Nova York, onde será julgado por várias acusações, incluindo o envolvimento com tráfico de drogas.

Sua vice, Delcy Rodríguez, assumiu a Presidência da Venezuela de forma interina. Ela sinalizou que buscará cooperar com os EUA, após sofrer ameaças dos americanos.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que poderá fazer novas operações militares no país se o governo não atender suas demandas, especialmente abrir o setor de petróleo para empresas americanas.

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