Ministro chinês quer investigar escândalo Panama Papers

Trata-se da primeira vez que o governo chinês se pronuncia sobre o escândalo, depois de vários dias sem nenhum comentário a respeito

Pequim - O ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, se referiu nesta sexta-feira ao escândalo causado pelos documentos filtrados da firma panamenha Mossack Fonseca, que afetam nove líderes do país e até agora tinham sido ignorados por Pequim, e disse que "é preciso investigar primeiro o que ocorreu exatamente".

Wang, que fez essas declarações em entrevista coletiva junto a seu colega alemão, Franz-Walter Steinmeier, de visita em Pequim, acrescentou que o "Panamá também está fazendo investigações".

Trata-se da primeira vez que o governo chinês se pronuncia sobre os "Panama Papers", depois que em dias prévios vários porta-vozes do Ministério das Relações Exteriores se limitaram a repetir ou dizer que não havia comentários a respeito, ou que as informações sobre o escândalo eram "infundadas".

O escândalo dos documentos da firma panamenha filtrados afetou desde o cunhado do presidente da China, Xi Jinping, o artífice da campanha em massa anticorrupção e contra o consumo feito pelas autoridades há três anos, até o neto político do fundador da República Popular, Mao Tsé-tung.

Gente próxima a outros sete líderes, entre eles Zhang Gaoli e Liu Yunshan, dois dos sete membros do órgão de mais poder chinês, o Comitê Permanente, também foram citados nas filtragens, passando por um ex-primeiro-ministro, um ex-vice-presidente e pelo ex-ministro Bo Xilai, assim como por um ex-secretário geral da formação ou que fora "número quatro" na hierarquia comunista até 2012.

Também pela primeira vez hoje, um dos envolvidos da elite chinesa, Hu Dehua, filho do ex-secretário geral do Partido Comunista nos anos 80 Hu Yaobang, se manifestou publicamente para admitir que era diretor e beneficiado da Fortalent International Holdings, nas Ilhas Virgens Britânicas, como dizem os documentos.

"Não há nada o que esconder", disse hoje Hu ao jornal "South China Morning Post", e acrescentou que "o registro foi feito com meu próprio passaporte e meu nome real".

Hu, o primeiro a falar entre os chineses envolvidos, indicou ao jornal que não sabia por que outros preferiram se calar. "Este é meu estilo de fazer as coisas".

Em todos os casos que afetam a China, familiares ou membros muito próximos destes líderes abriram companhias em paraísos fiscais, algo que a princípio não é ilegal, mas que sugere que poderiam ser empresas de fachada para lavagem de dinheiro e evasão de impostos.

Das 16,3 mil companhias internacionais para as quais o Mossack Fonseca trabalhou até 2015, 29% procedem da China e Hong Kong.

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