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María Corina perdeu apoio de Trump por aceitar Prêmio Nobel da Paz, diz jornal

Ex-presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e esposa foram detidos neste fim de semana em meio a uma operação militar autorizada pela Casa Branca

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 18h22.

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A decisão de María Corina Machado de aceitar o Prêmio Nobel da Paz teria custado à líder opositora venezuelana o apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Segundo o jornal americano The Washington Post, o republicano, que já manifestou em diversas ocasiões seu desejo de receber o prêmio, teria retirado o apoio à María Corina como nome para conduzir a transição política na Venezuela após a prisão do ex-presidente Nicolás Maduro.

Mesmo após agradecer a Trump e dedicar o prêmio a ele, fontes próximas à Casa Branca disseram ao The Washington Post que o fato de não ter recusado a premiação foi considerado por Trump um “pecado imperdoável”.

“Se ela tivesse recusado e dito: ‘Não posso aceitar porque pertence a Donald Trump’, hoje ela seria a presidente da Venezuela”, disse uma das fontes ao jornal americano, sob condição de anonimato.

Durante entrevista coletiva realizada neste domingo, 4 de janeiro, após a operação que resultou na prisão de Maduro em Caracas e na sua transferência para Nova York, Trump declarou que seria muito difícil para Machado assumir a presidência venezuelana neste momento. O presidente dos EUA alegou que ela não conta com apoio, nem respeito dentro do país.

De acordo com o jornal, a fala surpreendeu aliados da ativista. Uma pessoa próxima à equipe de Machado relatou que ela havia deixado o país secretamente após meses na clandestinidade para comparecer à cerimônia do Nobel em Oslo, na Noruega.

Os planos dos EUA para a nova presidência da Venezuela

O governo norte-americano passou a direcionar seu apoio à vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, atual presidente interina, segundo o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

“María Corina Machado é fantástica (...) mas a realidade imediata que enfrentamos é que, infelizmente, a grande maioria da oposição já não está presente na Venezuela. Temos questões de curto prazo que devem ser abordadas imediatamente”, afirmou Rubio. O secretário também reforçou que Delcy Rodríguez é “alguém com quem se pode trabalhar”.

Na mesma ocasião, Trump emitiu um alerta à nova líder interina: se não cooperar com os interesses americanos, poderá enfrentar um destino “pior do que o de Maduro”. Ele reiterou que os Estados Unidos estão preparados para uma segunda onda de ataques, mais ampla que a operação que levou à prisão de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, de Caracas.

Rubio esclareceu que os Estados Unidos pretendem gerenciar a direção do país sul-americano, mas sem manter presença militar em território venezuelano. Trump já havia declarado que sua administração governaria a Venezuela até que uma transição fosse concluída.

Embora Rubio tenha sido inicialmente nomeado por Trump para liderar a transição, a Casa Branca avalia agora dar esse papel a Stephen Miller, vice-chefe de gabinete do governo, disse o Washington Post.

A disputa pelo protagonismo na reorganização do poder na Venezuela ocorre sob vigilância direta da Casa Branca. A escolha entre lideranças opositoras reflete não apenas as alianças políticas em curso, mas também as estratégias de influência dos EUA no cenário latino-americano.

Entenda a invasão dos EUA à Venezuela

Os Estados Unidos invadiram a Venezuela na madrugada deste sábado, 3, e capturaram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma operação militar de grande escala que incluiu bombardeios em Caracas e em regiões estratégicas do país.

A ação, confirmada pelo presidente americano Donald Trump, levou o líder chavista para uma prisão nos Estados Unidos sob acusações de narcoterrorismo e abriu uma crise sem precedentes recentes na América do Sul, com impactos diretos sobre a soberania venezuelana, o equilíbrio regional, o mercado global de petróleo e a arquitetura de segurança internacional.

Os Estados Unidos afirmam ter realizado um ataque em larga escala contra a Venezuela, com bombardeios em Caracas e em estados estratégicos como Miranda, La Guaira e Aragua. Segundo Washington, a ofensiva derrubou sistemas de energia e alvos militares antes da captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.

Maduro foi capturando antes de entrar em um bunker, retirado do país e levado para os Estados Unidos, onde está preso no Metropolitan Detention Center, no Brooklyn. Ele é acusado de narcoterrorismo e tráfico internacional de cocaína e deverá responder a processos em tribunais de Nova York. Autoridades venezuelanas afirmam que integrantes da equipe de segurança presidencial foram mortos durante a operação.

A ação foi conduzida, segundo a imprensa americana, por militares da Delta Force, unidade de elite do Exército dos EUA.

Após a operação, Trump apresentou o que chamou de “Doutrina Donroe”, em referência direta à Doutrina Monroe, ao afirmar que o hemisfério ocidental estaria sob responsabilidade de Washington. O presidente dos EUA disse que a ofensiva representa uma nova estratégia de intervenção regional e afirmou que novas ações militares não estão descartadas.

Trump declarou que as Forças Armadas americanas permanecem prontas para um segundo ataque caso o novo comando venezuelano “não se comporte”. O presidente também fez advertências diretas a Colômbia e México, sugerindo que ambos enfrentam problemas ligados ao narcotráfico e poderiam ser alvo de iniciativas semelhantes.

(Com informações das agências EFE e AFP)

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