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China registra alta no turismo e no consumo após políticas de isenção de visto

O movimento se concentrou em grandes centros urbanos, como Xangai, e em destinos turísticos estratégicos, como Sanya, na ilha de Hainan

Turismo na China: política mais flexível impulsionou o setor (Leandro Fonseca/Exame)

Turismo na China: política mais flexível impulsionou o setor (Leandro Fonseca/Exame)

China2Brazil
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Agência

Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 16h48.

A ampliação das políticas de isenção de visto, combinada à expansão do duty free e à modernização dos serviços ao visitante, impulsionou o turismo receptivo e o consumo estrangeiro na China no fim de 2025 e na virada para 2026. O movimento se concentrou em grandes centros urbanos, como Xangai, e em destinos turísticos estratégicos, como Sanya, na ilha de Hainan, segundo dados oficiais.

Em Sanya, as vendas de produtos duty free superaram RMB 100 milhões por três dias consecutivos, entre 19 e 21 de dezembro de 2025, de acordo com o Departamento de Comércio local. Turistas estrangeiros tiveram participação relevante nesse resultado. Em Xangai, os mercados de fim de ano registraram aumento no fluxo de visitantes internacionais durante o período do Ano-Novo.

O crescimento está diretamente ligado à política de isenção de visto de trânsito por 240 horas, em vigor desde dezembro de 2024. Dados da Administração Nacional de Imigração mostram que, durante o feriado do Ano-Novo de 2026, 292 mil estrangeiros entraram no país beneficiados por políticas de isenção de visto, alta de 35,8% em relação ao mesmo período de 2025.

Até 16 de dezembro de 2025, o total de entradas de estrangeiros na China chegou a 40,6 milhões, aumento anual de 27,2%. O número de visitantes amparados pela política de 240 horas cresceu 60,8% em relação ao período anterior à unificação das regras. Em paralelo, a China ampliou a lista de países com isenção de visto em 2025, incluindo Brasil, Argentina, Chile, Peru, Uruguai, Rússia, Suécia e países do Oriente Médio.

As medidas redistribuíram o turismo para além dos grandes centros. Regiões de fronteira, como Horgos (Xinjiang), Manzhouli (Mongólia Interior) e Heihe (Heilongjiang), registraram alta no consumo turístico. Em Yunnan, políticas regionais voltadas a grupos da ASEAN ampliaram o fluxo internacional. Hainan consolidou-se como modelo ao combinar isenção de visto e compras duty free.

Entre janeiro e novembro de 2025, Hainan recebeu 5,17 milhões de turistas estrangeiros em pernoites, crescimento de 59% em relação ao ano anterior, segundo o Departamento Provincial de Cultura e Turismo. Mercados da Europa e da América do Norte apresentaram alta consistente no número de visitantes.

A ampliação do tempo de permanência também mudou o padrão das viagens. Mais de 60% dos turistas estrangeiros passaram a realizar roteiros interprovinciais, fortalecendo o modelo “uma viagem, vários destinos” e ampliando o alcance do turismo receptivo para províncias como Yunnan, Guizhou, Xinjiang, Guangxi e Fujian.

O ciclo de consumo se completou com a otimização do reembolso de impostos. Segundo a Administração Estatal de Impostos, entre janeiro e novembro de 2025, o número de pedidos de reembolso feitos por turistas estrangeiros cresceu 285%, enquanto o valor das vendas de produtos elegíveis aumentou 98,8%. Até novembro, 12.252 lojas estavam habilitadas ao sistema, com forte expansão ao longo de 2025.

Ao mesmo tempo, a modernização dos pagamentos e dos serviços reduziu barreiras para o visitante internacional. Em cidades como Pequim e Xangai, mais de 95% das áreas comerciais e atrações aceitam cartões internacionais, além de pagamentos por QR code e dinheiro, com suporte multilíngue.

Apesar do avanço, o turismo receptivo ainda representa cerca de 0,5% do PIB da China, segundo Sun Jie, CEO do Grupo Trip.com, percentual inferior ao de países como Tailândia e França. O dado indica espaço para crescimento. Para especialistas do setor, a continuidade das políticas de facilitação em vistos, pagamentos e consumo cria condições para que 2026 marque uma fase de expansão mais acelerada e estruturada do turismo receptivo no país.

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