Acompanhe:

Os ataques de rebeldes houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, no Mar Vermelho levaram 181 navios a desviar de rota -- contornando o continente africano -- desde que começaram até essa quarta-feira, 3, segundo a project 44, plataforma de visibilidade para cadeias de suprimentos. Na prática, o número de embarcações que passaram pelo Canal de Suez caiu 59% na semana de 24 a 31 de dezembro na relação com a semana antes dos ataques. 

Em relatório, a plataforma diz que as embarcações têm de decidir se desejam prosseguir pelo canal após o aumento do risco, desviar ao redor da África ou ancorar e esperar até que a passagem pelo estreito seja segura. No total, 207 navios foram afetados: 181 desviaram o curso e 26 navios optaram por deriva — isto é, permanecer parados e tentar aguardar o fim do conflito.

"As previsões de ETA (horário estimado de chegada) da project44, baseadas em Inteligência Artificial, identificaram que a maioria dos navios desviados terá um aumento de sete a 20 dias no tempo de trânsito. Alguns dos navios que estão desviando aumentaram suas velocidades para ajudar a mitigar atrasos. Isso se traduz em um uso maior de combustível – logo, os preços do transporte marítimo podem aumentar", avalia a empresa.

Segundo a agência marítima da ONU, dezoito companhias de navegação decidiram modificar a rota de seus navios para evitar o Mar Vermelho.

"Um número significativo de companhias, cerca de 18 companhias de navegação, já decidiram desviar seus navios ao redor da África do Sul para reduzir os ataques a embarcações", afirmou o secretário-geral da Organização Marítima Internacional (OMI), Arsenio Domínguez

A project44 alerta para os riscos na região, como o aumento do tempo de trânsito de mercadorias, possíveis perturbações no abastecimento global de petróleo e problemas de fluxo de estoque de companhias.

Aumento do tempo de trânsito

Até o momento, não houve aumento do tempo de trânsito de mercadorias. E essa não é necessariamente uma boa notícia.

"Isso provavelmente significa que os contêineres que foram desviados, o que deve adicionar de 7 a 20 dias no tempo de trânsito, ainda não chegaram ao seu destino", avalia o relatório da project44. "Nas próximas semanas, à medida que os contêineres impactados começarem a chegar e a sair dos portos de destino, esse número aumentará consideravelmente."

    Para a plataforma, uma forma de medir o potencial de aumento de traslado das mercadorias é avaliar as mudanças nos horários das transportadoras, que indicam os atrasos esperados.

    "Do Sudeste Asiático para a Europa é onde há o maior impacto até o momento, com atrasos aumentando 105% da semana de 17 a 23 de dezembro para a semana de 24 a 31 de dezembro", diz o relatório. "Embarcações nessa rota devem chegar com um atraso mediano de quase 8 dias, enquanto da China para a Europa a chegada terá um atraso mediano de 4 dias, e do Sudeste Asiático para a Costa Leste dos EUA, a previsão é de um atraso de 2,5 dias. É possível que esses números aumentem à medida que as transportadoras continuem a atualizar seus horários de embarcações."

    Petróleo e problemas de estoque

    Outro risco avaliado pela project44 é no fluxo de fornecimento de petróleo. Em 2022, o Oriente Médio exportou diariamente 15,4 milhões de barris de petróleo — uma boa parte disso pelo Canal de Suez.

    Segundo um comunicado de Estados Unidos, Austrália, Bahrein, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Alemanha, Itália, Japão, Holanda, Nova Zelândia e Reino Unido condenando os ataques na região, 15% do comércio internacional global por via marítima passa pela região atingida incluindo 8% do comércio global de grãos, 12% do comércio feito por via marítima de petróleo e 8% do com gás natural liquefeito.

    "À medida que o conflito persiste, prevê-se uma grande interrupção no fornecimento do produto", diz o relatório da project44. Em dezembro do ano passado, por exemplo, a BP anunciou uma pausa em todos os embarques no Mar Vermelho, causando um salto nos preços do petróleo e gás.

    Além disso, a projec44 aponta que o fluxo de estoque de empresas pode ser afetado. "O tempo adicional que esses embarques levarão não estava agendado quando os varejistas planejavam seu inventário, e após a temporada de compras de pico durante as Festas, é possível que os estoques se esgotem. Isso provavelmente será notado a partir de fevereiro", diz a plataforma.

    Efeitos da guerra de Israel

    Os ataques dos houtis aos navios trazem o risco de gerar uma escalada de conflito militar na região, como reflexo da guerra entre Israel e Hamas. No entanto, as chances disso ocorrer ainda são difíceis de estimar.

    A Guerra do Iêmen ocorre desde 2014, e envolve Arábia Saudita e Irã. Os sauditas apoaim o governo do Iêmen, enquanto os iranianos apoiam os rebeldes.

    O conflito começou depois que o governo reprimiu com força protestos contra medidas para cortar subsídios aos combustíveis. A situação foi escalando, até que manifestantes invadiram o palácio presidencial e forçaram o presidente Abdrabbuh Hadi a renunciar.

    No entanto, Hadi reuniu forças militares e iniciou uma campanha para retomar o poder, com apoio dos sauditas. O confronto deixou mais de 150 mil mortos, segundo a ONU, e gerou uma crise de fome no país.

    Durante os anos de conflito, houve ataques pontuais ao território da Arábia Saudita e a navios que passavam pelo mar Vermelho, mas sem maiores consequências. A região tem presença militar forte dos EUA, do Reino Unido e de outros países que possuem negócios na região e que não querem um conflito de grandes proporções ali.

    Créditos

    Últimas Notícias

    Ver mais
    Manifestantes em Jerusalém chamam Netanyahu de 'traidor' e pedem 'eleições já' em Israel
    Mundo

    Manifestantes em Jerusalém chamam Netanyahu de 'traidor' e pedem 'eleições já' em Israel

    Há um dia

    Danos a infraestruturas vitais de Gaza estimados em R$ 93,4 bilhões, diz Banco Mundial
    Mundo

    Danos a infraestruturas vitais de Gaza estimados em R$ 93,4 bilhões, diz Banco Mundial

    Há um dia

    Guerra na Faixa de Gaza: Netanyahu chama bombardeio de 'trágico' e diz que não foi intencional
    Mundo

    Guerra na Faixa de Gaza: Netanyahu chama bombardeio de 'trágico' e diz que não foi intencional

    Há um dia

    Irã promete que bombardeio israelense na Síria não ficará sem resposta
    Mundo

    Irã promete que bombardeio israelense na Síria não ficará sem resposta

    Há um dia

    Continua após a publicidade
    icon

    Branded contents

    Ver mais

    Conteúdos de marca produzidos pelo time de EXAME Solutions

    Exame.com

    Acompanhe as últimas notícias e atualizações, aqui na Exame.

    Leia mais