Manifestação contra guerra no Irã em frente à Casa Branca: negociações entre EUA e Teerã estão travadas (Mandel Ngan/AFP)
Repórter de internacional e economia
Publicado em 12 de maio de 2026 às 09h00.
A maioria dos americanos não aprova os ataques dos Estados Unidos ao Irã, aponta pesquisa do instituto AtlasIntel, divulgada nesta terça-feira, 12.
Dentre os entrevistados, 59,2% disseram se opor aos ataques ao Irã e 38,9% os apoiam. O instituto ouviu 2.069 americanos, entre os dias 4 e 7 de maio, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Além disso, 67,8% responderam considerar que os ataques ao país do Oriente Médio elevam o risco de ataques terroristas contra cidadãos dos EUA, e 58,5% afirmaram crer que as ações aumentam as motivações do Irã para ter armas nucleares.
Para 33,8% dos entrevistados, os ataques não afetaram a capacidade do Irã de obter armas nucleares, enquanto 27,6% afirmaram que eles comprometeram de forma significativa essa capacidade. Já 21,7% consideraram que os ataques reduziram em parte o programa nuclear iraniano, e apenas 8,6% avaliam que o projeto nuclear foi completamente eliminado.
Trump diz que a principal razão para os ataques é impedir que o Irã tenha uma bomba nuclear. Ele ordenou bombardeios ao país em 28 de fevereiro, em conjunto com Israel. Os dois lados concordaram com um cessar-fogo em abril, que ainda está em vigor, mas de modo frágil, pois as conversas de paz enfrentam dificuldades.
O conflito levou a uma disparada do preço do petróleo no mundo todo, o que também gera efeitos para a economia dos EUA.
A AtlasIntel perguntou também quais são os maiores desafios que os EUA enfrentam, e as principais respostas vieram da área econômica: 48,6% responderam inflação e custo de vida, e 41,1% citaram a economia e o mercado de trabalho. Em terceiro lugar, veio a defesa da democracia, com 38,3%.
A preocupação com a inflação vem crescendo ao longo do ano. Em janeiro, ela era citada por 39% dos americanos. Hoje, são 49%.
Já nos ataques à Venezuela, 50% dos americanos consideram que as ações dos EUA tiveram sucesso, e 40% que foram um insucesso.
Em janeiro, militares americanos prenderam o presidente Nicolás Maduro, pela acusação de envolvimento em tráfico de drogas, e o levaram para uma prisão em Nova York. Sua vice, Delcy Rodríguez, se tornou presidente e passou a cooperar com os EUA, inclusive abrindo a indústria de petróleo venezuelano aos americanos.