Repórter
Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 19h28.
Última atualização em 8 de janeiro de 2026 às 19h36.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou nesta quinta-feira, 8, com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro. Segundo o planalto, os dois líderes trataram da crise política na Venezuela, que se intensificou após a captura do líder do país Nicolás Maduro pelas autoridades dos Estados Unidos.
O contato entre Lula e Petro ocorreu em meio ao aumento da tensão regional provocado pela intervenção norte-americana no país vizinho.
"Os dois mandatários manifestaram grande preocupação com o uso da força contra um país sul-americano, em violação ao direito internacional, à Carta das Nações Unidas e à soberania da Venezuela. E destacaram que tais ações constituem um precedente extremamente perigoso para a paz e a segurança regionais e para a ordem internacional", diz a nota.
Lula e Petro enfatizaram a necessidade da diplomacia para resolver o impasse político de Caracas, ao invés do uso da força apresentado pelas autoridades norte-americanas. Além disso, os dois presidentes consideram também que a libertação dos presos políticos pelo regime chavista, anunciada nesta quinta-feira, foi um grande passo.
"A situação na Venezuela deve ser resolvida exclusivamente por meios pacíficos, da negociação e do respeito à vontade do povo venezuelano. Saudaram, nesse sentido, o anúncio feito na tarde desta quinta-feira pelo presidente da Assembleia Nacional da Venezuela de liberação de presos nacionais e estrangeiros".
O Palácio do Planalto informou também que, durante a conversa, Lula comunicou a Petro que o Brasil está organizando o envio de 40 toneladas de insumos e medicamentos à Venezuela, parte de um total de cerca de 300 toneladas já arrecadadas para ajuda humanitária.
Segundo o governo brasileiro, as doações têm o objetivo de restabelecer o fornecimento de produtos e soluções para tratamento de diálise que ficaram escassos depois que um centro de abastecimento de insumos foi atingido por bombardeios na Venezuela no dia 3 de janeiro.
"Brasil e Colômbia reafirmaram sua intenção de seguir cooperando em prol da paz e da estabilidade na Venezuela, país com o qual compartilham extensas fronteiras. Recordaram nesse contexto, os importantes contingentes de migrantes venezuelanos que têm acolhido nos últimos anos".
Nesta quarta-feira, 7, o presidente colombiano também falou por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. De acordo com o norte-americano, os dois trataram da "situação das drogas" e das "divergências que tiveram" em ocasiões anteriores.
A conversa ocorreu após uma série de trocas de declarações entre os dois líderes. Nos últimos dias, Trump afirmou que uma possível ação militar na Colômbia "soava bem". Em resposta, Petro classificou Trump como "senil".
Os Estados Unidos invadiram a Venezuela na madrugada deste sábado, 3, e capturaram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma operação militar de grande escala que incluiu bombardeios em Caracas e em regiões estratégicas do país.
A ação, confirmada pelo presidente americano Donald Trump, levou o líder chavista para uma prisão nos Estados Unidos sob acusações de narcoterrorismo e abriu uma crise sem precedentes recentes na América do Sul, com impactos diretos sobre a soberania venezuelana, o equilíbrio regional, o mercado global de petróleo e a arquitetura de segurança internacional.
Os Estados Unidos afirmam ter realizado um ataque em larga escala contra a Venezuela, com bombardeios em Caracas e em estados estratégicos como Miranda, La Guaira e Aragua. Segundo Washington, a ofensiva derrubou sistemas de energia e alvos militares antes da captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
Maduro foi capturando antes de entrar em um bunker, retirado do país e levado para os Estados Unidos, onde está preso no Metropolitan Detention Center, no Brooklyn. Ele é acusado de narcoterrorismo e tráfico internacional de cocaína e deverá responder a processos em tribunais de Nova York. Autoridades venezuelanas afirmam que integrantes da equipe de segurança presidencial foram mortos durante a operação.
A ação foi conduzida, segundo a imprensa americana, por militares da Delta Force, unidade de elite do Exército dos EUA.
Após a operação, Trump apresentou o que chamou de “Doutrina Donroe”, em referência direta à Doutrina Monroe, ao afirmar que o hemisfério ocidental estaria sob responsabilidade de Washington. O presidente dos EUA disse que a ofensiva representa uma nova estratégia de intervenção regional e afirmou que novas ações militares não estão descartadas.
Trump declarou que as Forças Armadas americanas permanecem prontas para um segundo ataque caso o novo comando venezuelano “não se comporte”. O presidente também fez advertências diretas a Colômbia e México, sugerindo que ambos enfrentam problemas ligados ao narcotráfico e poderiam ser alvo de iniciativas semelhantes.
(Com informações da AFP)