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Kiev sem calefação após míssil russo; ONU convoca reunião de emergência

Quase 6 mil prédios ficaram sem calefação na capital da Ucrânia após ataque que matou quatro e feriu 24 em meio a onda de frio

Prédio residencial em construção, danificado durante o ataque maciço com drones e mísseis russos a Kiev em 9 de janeiro de 2026 (Sergei Supinsky/AFP)

Prédio residencial em construção, danificado durante o ataque maciço com drones e mísseis russos a Kiev em 9 de janeiro de 2026 (Sergei Supinsky/AFP)

Publicado em 10 de janeiro de 2026 às 08h41.

O Conselho de Segurança da ONU se reunirá na próxima segunda-feira, 12, para discutir os recentes ataques russos à Ucrânia, que deixaram Kiev sem aquecimento em pleno inverno.

A convocação veio após a Rússia lançar pela segunda vez, desde o início da guerra, um míssil hipersônico Oreshnik, durante uma ofensiva que matou quatro pessoas e feriu outras 24.

Os ataques ocorreram na madrugada de sexta-feira, 9, quando Moscou bombardeou a capital ucraniana e outras regiões do país. Segundo o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, cerca de 40 alvos foram atingidos, incluindo 20 edifícios residenciais e a embaixada do Catar.

O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, afirmou que "metade dos prédios de apartamentos de Kiev — quase 6 mil — está atualmente sem aquecimento devido a danos à infraestrutura crítica da capital causados por um ataque maciço do inimigo". Ele pediu que moradores que tenham condições deixem a cidade temporariamente.

Com temperaturas variando entre -7 ºC e -12 ºC, técnicos trabalhavam para restaurar o fornecimento de energia, interrompido para ao menos 417 mil residências, de acordo com a operadora elétrica privada DTEK.

Autoridades locais habilitaram 1.200 estações de aquecimento emergenciais.

Mulher caminha próximo a um conjunto residencial danificado após ataques russos em Kiev, na madrugada de 9 de janeiro de 2026 (Tetiana DZHAFAROVA/AFP)

A Rússia alegou ter atacado "alvos estratégicos" e afirmou que a ofensiva foi uma resposta a uma suposta tentativa ucraniana de bombardear a residência de Vladimir Putin no fim de dezembro — acusação negada por Kiev e aliados ocidentais. O míssil Oreshnik, com capacidade nuclear e velocidade de até 13 mil km/h, foi utilizado também no fim de 2024, em outro ataque à Ucrânia.

Escalada militar e reação internacional

A ofensiva veio horas depois de Moscou rejeitar um plano europeu que prevê o envio de uma força multinacional à Ucrânia após um eventual cessar-fogo.

O chanceler ucraniano, Andrii Sybiha, classificou o bombardeio como "uma grave ameaça à segurança do continente europeu e um teste para a comunidade transatlântica".

Zelensky cobrou resposta da comunidade internacional.

"Um ataque desse tipo perto da fronteira da União Europeia e da Otan representa uma grave ameaça à segurança do continente europeu e um teste para a comunidade transatlântica", disse Sybiha.

Já a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, afirmou que o uso do míssil hipersônico é um "sinal claro de escalada".

"A Federação Russa atingiu um novo e terrível nível de crimes de guerra e crimes contra a humanidade com seu terror contra civis e infraestruturas civis na Ucrânia", declarou o embaixador ucraniano na ONU, Andrii Melnik, em carta enviada ao Conselho de Segurança.

Na linha de frente, a indignação popular cresceu. "Onde está a Europa, onde estão os Estados Unidos?", questionou Nina, de 70 anos, moradora de um dos prédios atingidos em Kiev, segundo a AFP.

Nos arredores de Lviv, moradores de Rudno relataram cortes de gás e explosões durante a noite.

"Sentimos muito medo e incerteza. Porque a temperatura está a 18 ou 20 graus abaixo de zero, e aqui não há gás", disse à AFP Slava, também de 70 anos.

Enquanto a Rússia nega intenção de expandir o conflito para além da Ucrânia, ataques com drones no mar Negro e bombardeios cruzados na região russa de Belgorod indicam uma guerra em ritmo de intensificação. O governador local afirmou que mais de meio milhão de russos ficaram sem luz ou aquecimento após ação ucraniana.

Com informações da AFP

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