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Japão rebate críticas da China e promete ampliar capacidade militar

Ministro da Defesa afirma que Tóquio continuará fortalecendo suas capacidades em inteligência artificial, segurança cibernética e defesa espacial, apesar das objeções de Pequim

Shinjiro Koizumi: O Japão não possui nenhuma dessas armas (MOHD RASFAN/AFP)

Shinjiro Koizumi: O Japão não possui nenhuma dessas armas (MOHD RASFAN/AFP)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 31 de maio de 2026 às 09h01.

O ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, afirmou neste domingo, 31, que o país seguirá ampliando suas capacidades militares, apesar das críticas da China. A declaração ocorreu durante o Diálogo Shangri-La, principal fórum de defesa da Ásia realizado anualmente em Singapura.

Koizumi disse que o Japão continuará fortalecendo seu aparato de defesa mesmo diante das acusações de Pequim sobre um suposto "novo militarismo" japonês.

Nos últimos anos, o Japão passou a adotar uma postura mais ativa na área de defesa sob a liderança da primeira-ministra Sanae Takaichi.

A estratégia representa um afastamento da política pacifista adotada pelo país desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

A mudança tem provocado críticas frequentes da China, que acusa Tóquio de promover um movimento capaz de desestabilizar a região. Segundo Koizumi, porém, a avaliação não corresponde à realidade.

"Nada poderia estar mais longe da verdade", afirmou o ministro durante o evento. Sem citar diretamente a China, ele questionou as críticas ao Japão ao mencionar a existência de países com arsenais nucleares e bombardeiros estratégicos.

“O Japão não possui nenhuma dessas armas. E, mesmo assim, é apontado como ‘novo militarismo’. Não é estranho?”, declarou Koizumi.

A fala ocorre em um momento de deterioração das relações entre os dois países. As tensões aumentaram após Takaichi sugerir, em novembro, que o Japão poderia intervir militarmente caso a China tentasse tomar Taiwan pela força.

Koizumi também afirmou que a China amplia suas capacidades militares sem oferecer transparência suficiente sobre o processo. Para o ministro, as atividades das forças armadas chinesas representam uma preocupação relevante para o governo japonês.

Segundo o ministro, o Japão ampliará gradualmente suas capacidades de defesa com alto grau de transparência, incluindo investimentos em inteligência artificial, sistemas não tripulados, segurança cibernética e defesa espacial.

Fórum reúne autoridades de defesa de 45 países

As declarações ocorreram durante o Diálogo Shangri-La, encontro que reúne anualmente autoridades governamentais e especialistas em segurança de cerca de 45 países para discutir os principais desafios estratégicos da região Ásia-Pacífico.

O evento tem servido como palco para debates sobre o equilíbrio militar na região, em meio ao aumento das tensões envolvendo China, Taiwan, Japão e outros atores estratégicos do Indo-Pacífico.

Com AFP.

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