Israel adia plano de ampliação de assentamento após críticas

Comitê de Planejamento da Prefeitura de Jerusalém aprovou a construção de 700 casas no bairro palestino de Beit Safafa e adiou a aprovação de outras 1.000

Jerusalém – O Ministério do Interior de Israel surpreendeu e adiou nesta terça-feira a construção de casas em assentamentos judaicos em Jerusalém Oriental, após as críticas recebidas ontem pela aprovação de outro plano colonizador na cidade.

O Comitê de Planejamento da Prefeitura de Jerusalém aprovou a construção de 700 casas no bairro palestino de Beit Safafa e adiou a aprovação de outras 1.000 nos assentamentos de Givat Hamatos e Beit Safafa, informou a edição digital do jornal ”The Jerusalem Post”.

O vereador Yair Gabay declarou que o projeto não foi adiado por razões ideológicas, mas por falta de infraestrutura, segundo divulgou em sua conta do Twitter a autora da matéria, Melanie Lidman.

O objetivo do governo de Israel é autorizar a construção de 6.500 casas em Jerusalém Oriental, território palestino ocupado por Israel, ainda nesta semana.

A construção de 1.500 delas em Ramat Shlomo, ao norte de Belém, foi aprovada ontem, o que gerou críticas internacionais, com uma possível declaração conjunta da União Europeia.

Espera-se a aprovação amanhã de outro bloco, de 2.610 imóveis, em Givat Hamatos, e de outros 1.000 em Har Gilo na quinta-feira. ”Jerusalém é a capital eterna do Estado de Israel e seguiremos construindo neste local”, declarou hoje o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

A presidência palestina condenou o plano anunciado ontem por considerar que ”desafia toda a comunidade internacional e infla os sentimentos de palestinos e árabes em geral”.

”Esta ação isolará Israel, já que o mundo inteiro agora rejeita a ocupação e reconhece o Estado palestino segundo as fronteiras de 1967”, declarou o porta-voz da presidência, Nabil Abu Rudeina, à agência oficial ”Wafa”.

O projeto de Ramat Shlomo está paralisado desde 2010, quando gerou uma crise diplomática com Washington. Em represália pelo reconhecimento da Palestina como Estado observador na Assembleia Geral da ONU, Israel lançou uma campanha de colonização nos territórios ocupados de Jerusalém Oriental e Cisjordânia.

O plano de Israel foi duramente criticado pela comunidade internacional, sobretudo por incluir a construção na zona E1, que teria um grande impacto na continuidade territorial do futuro Estado palestino.

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