Mundo

Irlanda indenizará mulher forçada a deixar o país para abortar

Em caso classificado pela ONU como “discriminatório e cruel”, governo aceitou reparar os danos, mas não se comprometerá com mudanças em sua rígida lei

 (Champja/Thinkstock)

(Champja/Thinkstock)

Gabriela Ruic

Gabriela Ruic

Publicado em 2 de dezembro de 2016 às 17h35.

São Paulo – A Irlanda terá de pagar uma indenização no valor de 30 mil euros (cerca de 110 mil reais) para uma mulher que foi forçada a viajar ao Reino Unido para realizar um aborto. É a primeira vez que isso acontece no país, um dos que detêm as leis mais rígidas em relação ao procedimento.

Tudo começou em novembro de 2011, quando Amanda Mellet recebeu a informação de que o bebê que esperava tinha problemas congênitos e que não sobreviveria até o final da gravidez. Se sobrevivesse, morreria momentos após o parto.

Ela então viajou ao Reino Unido, onde permaneceu por apenas 12 horas, e retornou ao seu país. Na Irlanda, no entanto, não teve acesso aos serviços de aconselhamento e atendimento médico garantido às mulheres que sofreram abortos espontâneos.

O caso chegou até a Organização das Nações Unidas, que emitiu em junho um parecer no qual classificou a situação de Amanda como “discriminatória e cruel”. Além disso, os especialistas da entidade notaram que ela enfrentou sérios obstáculos para obter informações acerca das opções disponíveis para o seu caso de profissionais da saúde.

Na Irlanda, há uma lei em vigor que permite aos médicos e enfermeiros expor as mulheres em que circunstâncias uma gravidez pode ser interrompida, dentro e fora do solo irlandês. No entanto, uma disposição legal os proíbe de atuar de modo que o aconselhamento soe como um incentivo. Como resultado, a dificuldade em distinguir as condutas faz com que muitos profissionais se abstenham de dar o apoio necessário e adequado para as pacientes.

Agora, informou o The Guardian, o governo aceitou reparar os danos causados, mas se recusou a se comprometer as mudanças em sua lei sobre aborto propostas pela ONU. A justificativa foi a de que qualquer alteração terá de ser objeto de uma emenda constitucional, cuja aprovação só se daria por meio de um referendo, explicou o jornal The Irish Times.

Acompanhe tudo sobre:FeminismoMulheresIrlandaAborto

Mais de Mundo

Trump ameaça Irã novamente e diz que 'grande força está a caminho'

Após Trump recuar em tarifas, UE avalia retomar votação do acordo comercial com os EUA

Governo dos EUA apresenta plano de desenvolvimento da 'Nova Gaza'

China lidera ranking global de indústrias mais avançadas