Repórter
Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 17h57.
Última atualização em 5 de janeiro de 2026 às 18h05.
O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, deve se reunir nesta semana com representantes do setor petrolífero para discutir a recuperação da indústria de energia na Venezuela após a deposição do presidente Nicolás Maduro. A movimentação do governo norte-americano foi informada por fontes próximas da Casa Branca à agência Bloomberg.
Wright participará da Conferência de Energia, Tecnologias Limpas e Serviços Públicos do Goldman Sachs, que ocorre em Miami. O evento reúne executivos de empresas como Chevron Corp. e ConocoPhillips. A Chevron é atualmente a única grande petrolífera ainda ativa em território venezuelano.
O governo do presidente Donald Trump espera que companhias americanas liderem a reestruturação da produção venezuelana. A retomada, no entanto, depende de garantias institucionais, segundo representantes da indústria.
Embora haja interesse estratégico na exploração das maiores reservas mundiais de petróleo, empresas do setor adotam cautela diante da instabilidade.
Fontes afirmam à Bloomberg que as empresas aguardam sinais claros de estabilidade política, respeito ao Estado de Direito e garantias de apoio contínuo por parte dos Estados Unidos, mesmo após o fim do mandato de Trump, antes de formalizarem compromissos financeiros no país.
Por outro lado, a proposta de Donald Trump de retomar a indústria petrolífera da Venezuela pode ser um processo mais longo do que as empresas do setor imaginam e com um custo acima de US$ 100 bilhões, segundo a agência de notícias.
A infraestrutura petrolífera da Venezuela enfrenta colapso após anos marcados por corrupção, falta de investimentos, incêndios e furtos. Para restaurar a capacidade produtiva aos níveis registrados na década de 1970, especialistas estimam que seriam necessários aportes na faixa de US$ 10 bilhões por ano, ao longo de uma década. O esforço poderia envolver empresas como Chevron, Exxon Mobil e ConocoPhillips.
Detentora das maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela registrou forte declínio na produção durante os 12 anos de governo de Nicolás Maduro.
Atualmente, o país sul-americano produz aproximadamente 1 milhão de barris por dia, volume que representa um quarto do registrado em 1974, quando a produção alcançava cerca de 4 milhões de barris diários.
Os Estados Unidos invadiram a Venezuela na madrugada deste sábado, 3, e capturaram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma operação militar de grande escala que incluiu bombardeios em Caracas e em regiões estratégicas do país.
A ação, confirmada pelo presidente americano Donald Trump, levou o líder chavista para uma prisão nos Estados Unidos sob acusações de narcoterrorismo e abriu uma crise sem precedentes recentes na América do Sul, com impactos diretos sobre a soberania venezuelana, o equilíbrio regional, o mercado global de petróleo e a arquitetura de segurança internacional.
Os Estados Unidos afirmam ter realizado um ataque em larga escala contra a Venezuela, com bombardeios em Caracas e em estados estratégicos como Miranda, La Guaira e Aragua. Segundo Washington, a ofensiva derrubou sistemas de energia e alvos militares antes da captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
Maduro foi capturando antes de entrar em um bunker, retirado do país e levado para os Estados Unidos, onde está preso no Metropolitan Detention Center, no Brooklyn. Ele é acusado de narcoterrorismo e tráfico internacional de cocaína e deverá responder a processos em tribunais de Nova York. Autoridades venezuelanas afirmam que integrantes da equipe de segurança presidencial foram mortos durante a operação.
A ação foi conduzida, segundo a imprensa americana, por militares da Delta Force, unidade de elite do Exército dos EUA.
Após a operação, Trump apresentou o que chamou de “Doutrina Donroe”, em referência direta à Doutrina Monroe, ao afirmar que o hemisfério ocidental estaria sob responsabilidade de Washington. O presidente dos EUA disse que a ofensiva representa uma nova estratégia de intervenção regional e afirmou que novas ações militares não estão descartadas.
Trump declarou que as Forças Armadas americanas permanecem prontas para um segundo ataque caso o novo comando venezuelano “não se comporte”. O presidente também fez advertências diretas a Colômbia e México, sugerindo que ambos enfrentam problemas ligados ao narcotráfico e poderiam ser alvo de iniciativas semelhantes.
(Com informações da AFP)