Governo da Colômbia e Farc chegam a acordo sobre drogas

Partes chegaram nesta sexta-feira a um acordo sobre drogas ilícitas, o terceiro dos seis pontos da agenda das negociações

Havana - O governo da Colômbia e a guerrilha das Farc chegaram nesta sexta-feira a um acordo sobre drogas ilícitas, o terceiro dos seis pontos da agenda das negociações de paz em Havana, a menos de dez dias das eleições presidenciais.

"As delegações do governo e das Farc informam que chegamos a um acordo sobre o quarto ponto (...) terceiro em discussão, denominado Solução para o Problema das Drogas Ilícitas", destacou uma declaração conjunta lida pelo diplomata cubano Rodolfo Benítez no Palácio de Convenções de Havana, sede dos diálogos de paz.

O diplomata norueguês, Dag Nylander, cujo país é fiador do processo de paz, disse que o governo do presidente Juan Manuel Santos vai convocar uma conferência internacional na ONU contra o tráfico de drogas.

"Vamos desenvolver uma estratégia específica da luta contra a corrupção associada ao narcotráfico", revelou Nylander, que leu parte do comunicado conjunto.

Benítez destacou que será uma campanha de erradicação dos plantios de uso ilícito, e que caso alguns camponeses insistam nestes cultivos, haverá uma erradicação forçada, mas de forma manual e não com produtos químicos, atendendo à exigência das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Após o anúncio, o presidente Santos afirmou que "hoje estamos muito próximos, mais próximos do que nunca, de obter a paz". "Hoje encerramos em Havana o terceiro ponto da agenda. Isto é um passo definitivo, importantíssimo, uma grande notícia para a Colômbia e para todo o mundo".

"O que peço a vocês (...) é que no próximo dia 25 de maio me deem uma missão: presidente Santos, persista na busca desta paz, porque o que está em jogo é muito importante", disse sobre as eleições presidenciais.

O acordo foi anunciado em uma cerimônia iniciada às 18H10 local (19H10 Brasília), da qual participaram os negociadores das Farc Iván Márquez, Jesús Santrich, Ricardo Téllez e Pablo Catatumbo; e os representantes do governo colombiano Humberto De la Calle, Sergio Jaramillo, Jorge Mora e Oscar Naranjo, os dois últimos generais da reserva.

O tema das drogas é o terceiro dos seis pontos da agenda de paz, após os acordos sobre a reforma rural (maio de 2013) e participação política (novembro de 2013).

Permanecem pendentes na agenda de paz o "abandono das armas", "vítimas" e como "referendar" o eventual acordo de paz que acabará com meio século de um conflito armado que deixou milhares de mortos e quatro milhões de deslocados.

Dia de trégua

Mais cedo nesta sexta, as Farc e o Exército de Libertação Nacional (ELN) anunciaram uma trégua diante da proximidade da eleição presidencial de 25 de maio na Colômbia.

"Ordenamos as nossas unidades que suspendam qualquer ação militar ofensiva contra as Forças Armadas do Estado ou contra a infraestrutura econômica a partir das 00h00 de terça-feira, 20 de maio, até as 24 horas de quarta-feira, 28 de maio", declarou o delegado das Farc Pablo Catatumbo em Havana.

Catatumbo disse que a trégua foi estabelecida pelos comandantes máximos das duas guerrilhas esquerdistas, Nicolás Rodríguez, do ELN, e Timoleón Jiménez, das Farc.

O governo reagiu afirmando que manterá suas operações contra a guerrilha. "Não vamos deixar de persegui-los simplesmente porque farão o favor de deixar de cometer um dos tantos crimes que cometem", disse o ministro da Defesa, Juan Carlos Pinzón.

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, que busca um novo mandato de quatro anos na eleição de 25 de maio, já havia descartado esta semana um cessar-fogo por parte de suas tropas.

Santos negocia desde novembro de 2012 um acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), e também tem se mostrado aberto a iniciar negociações de paz com o Exército de Libertação Nacional (ELN).

"Cada vez que adotamos tréguas bilaterais, isso significa um fortalecimento dos grupos armados", declarou Pinzón.

"Quando renunciarem às armas, com muito gosto iremos parar de persegui-los", concluiu o ministro Pinzón.

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