Colômbia: país vota para 2º turno hoje (Jaime SALDARRIAGA/AFP)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 21 de junho de 2026 às 10h41.
As urnas na Colômbia abriram às 8h (10h, no horário de Brasília) deste domingo, 21 , para o segundo turno da eleição presidencial entre o advogado de extrema direita Abelardo de la Espriella e o senador de esquerda Iván Cepeda.
A votação segue até as 16h locais (18h de Brasília), e o resultado deve ser conhecido ainda na noite de hoje.
O pleito decide quem sucede o presidente Gustavo Petro, impedido pela Constituição de buscar a reeleição, e ocorre em meio à pior onda de violência armada do país em uma década — 14 mil pessoas foram mortas na Colômbia em 2025, segundo levantamento realizado perto do primeiro turno.
No primeiro turno, realizado em 31 de maio, Espriella surpreendeu as pesquisas e terminou em primeiro lugar, com 43,7% dos votos — uma vantagem de cerca de 673 mil votos sobre Cepeda, que obteve 40,9%.
A senadora de direita Paloma Valencia, apoiada pelo ex-presidente Álvaro Uribe, ficou em terceiro lugar, com 6,9%, e declarou apoio a Espriella para a etapa final da disputa.
Cepeda, de 63 anos, é senador e filho do também senador Manuel Cepeda Vargas, assassinado em 1994.
Ele defende a continuidade das políticas do governo Petro, incluindo o aumento do salário mínimo, a ampliação do acesso à saúde e a manutenção das negociações de paz com grupos armados — estratégia batizada de "Paz Total" e que, até aqui, avançou pouco.
Espriella, de 47 anos, é advogado, já representou clientes controversos como o empresário venezuelano Alex Saab e concorre à primeira eleição da carreira.
Ele propõe linha dura contra o crime organizado, a construção de dez megaprisões e diz ter financiado a própria campanha sem doações de partidos ou empresas — afirmação que a Reuters não conseguiu verificar de forma independente.
A disputa colombiana ultrapassa as fronteiras do país.
Espriella recebeu apoio explícito do presidente americano, Donald Trump, e de líderes de direita da região, como o argentino Javier Milei, o chileno José Antonio Kast e a opositora venezuelana María Corina Machado. Cepeda, por sua vez, é o herdeiro político direto de Petro, que tem usado o cargo para mobilizar sua base eleitoral em favor do candidato do Pacto Histórico.
Uma eventual vitória de Espriella representaria mais um ponto de apoio para a política de Trump na América do Sul. Já uma vitória de Cepeda manteria a Colômbia na contramão da onda de direita que tem avançado em outros países da região.
O governo colombiano mobilizou 408 mil agentes de segurança, além de aeronaves, drones e blindados, para garantir a votação em todo o país — reflexo de uma campanha marcada por ameaças de morte contra os três principais candidatos e pelo assassinato do senador Miguel Uribe Turbay, em 2025, ainda durante a pré-campanha.
O resultado define não apenas o comando da Colômbia para o mandato de 2026 a 2030, mas também o rumo de temas sensíveis para o país, como a política de exploração de petróleo, a relação com os Estados Unidos e o futuro dos acordos de paz com grupos armados ilegais.