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Fukushima tem melhoras visíveis, mas grandes desafios

Dentro das instalações nucleares quase não restam impressões de uma das piores crises atômicas da história, causada por um terremoto e posterior tsunami

Fukushima: um dos progressos mais notáveis do último ano é que os níveis de radioatividade ambiental caíram de forma significativa (Kimimasa Mayama/AFP)
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Da Redação

Publicado em 10 de março de 2016 às 10h44.

Okuma - Passados cinco anos da catástrofe nuclear de Fukushima , a usina localizada na cidade japonesa obteve melhoras visíveis e avanços no controle de vazamentos radioativos, embora ainda haja um longo e complexo processo de recuperação pela frente.

Dentro das instalações nucleares quase não restam impressões de uma das piores crises atômicas da história - causada por um terremoto e posterior tsunami em 11 de março de 2011 - além dos operários com roupas anti-radiação e das excepcionais medidas de segurança para permitir a entrada no local.

Um dos progressos mais notáveis do último ano é que, graças às tarefas de limpeza e descontaminação da usina, os níveis de radioatividade ambiental caíram de forma significativa.

Os 6,8 mil funcionários que trabalham a cada dia em Fukushima Daiichi podem realizar suas tarefas sem a necessidade de usar uma máscara facial completa em 90% das instalações nucleares, segundo dados da empresa proprietária, a Tokyo Electric Power (TEPCO).

O fato de usar apenas uma máscara que cobre nariz e boca - além do obrigatório traje anti-radiação - "lhes permite trabalhar com menos calor, menos esforço e se comunicar melhor entre si", explicou Juiichi Okamura, porta-voz da companhia.

Cada funcionário recebe uma dose mensal média de radiação de 0,5 a 0,6 milisieverts, segundo dados da TEPCO.

A empresa afirma que nenhum trabalhador chegou nos quatro últimos anos ao limite anual de radiação acumulada de 50 milisieverts, fixado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

A cerca de 100 metros dos reatores 1, 2 e 3 - os que foram mais afetados pelo tsunami -, os medidores de radioatividade apontam entre 70 e 100 microsieverts por hora (entre 0,07 e 0,1 milisieverts), e perto deles chegam a 170 microsieverts.

Os trabalhadores dispõem de um novo edifício dentro da usina com quartos e áreas comuns onde podem descansar e dormir, além de de uma cantina que serve alimentos "produzidos e elaborados em Fukushima" com o objetivo de "dissipar os rumores de que a comida originária da cidade seja perigosa".

Uma conhecida franquia no varejo japonesa abriu dentro do complexo da usina um pequeno supermercado onde é vendida desde comida pré-cozida até roupas íntimas e outros produtos de uso diário.

Há dois anos ainda era possível ver montanhas de escombros espalhadas pela central, além de encanamentos, cabos e vigas retorcidas nos reatores como vestígios do tsunami de março de 2011 e das explosões posteriores.

Em um edifício próximo à unidade número 3, uma marca na fachada de cerca de 10 metros de altura sobre o nível do mar ainda mostra até onde chegou a onda gigante que pôs em xeque a central japonesa e causou a pior crise nuclear desde a de Chernobyl (Ucrânia) em 1986.

Entre as obras recém-terminadas destaca-se o novo piso de cimento de todo o terreno da usina para torná-lo impermeável à chuva e evitar, portanto, que a água arraste elementos radioativos para o oceano Pacífico.

A isso se soma uma barreira marinha próxima da usina e um sistema de drenagem subterrâneo, medidas com as quais a TEPCO conseguiu conter o acúmulo de água contaminada no complexo nuclear.

Na central estão instalados cerca de 800 mil tanques (cada um com uma capacidade de mil metros cúbicos) onde é armazenada água com diferentes níveis de radioatividade, e estima-se que há capacidade máxima para cerca de 950 mil recipientes deste tipo.

Este acúmulo de líquido radioativo é ainda um dos grandes desafios para os responsáveis pela usina e as autoridades japonesas que seguem sem definir o que fazer com esta enorme quantidade de água a longo prazo.

Por outro lado, a TEPCO prevê começar por volta de 2017 a retirada de combustível dos reatores 1 a 3, uma tarefa de alto risco e de elevada complexidade técnica devido às doses mortais de radiação registradas dentro destas unidades, e que até o momento nunca foi realizada nestas condições.

O desmantelamento da central deve durar de 30 a 40 anos, e seu custo total - acrescentando compensações às pessoas que tiveram que deixar suas residências devido ao acidente, entre outras despesas relacionadas - está estimado de 8 a 13 trilhões de ienes (até 104 bilhões de euros), segundo a TEPCO e especialistas japoneses independentes.

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Dentro das instalações nucleares quase não restam impressões de uma das piores crises atômicas da história - causada por um terremoto e posterior tsunami em 11 de março de 2011 - além dos operários com roupas anti-radiação e das excepcionais medidas de segurança para permitir a entrada no local.

Um dos progressos mais notáveis do último ano é que, graças às tarefas de limpeza e descontaminação da usina, os níveis de radioatividade ambiental caíram de forma significativa.

Os 6,8 mil funcionários que trabalham a cada dia em Fukushima Daiichi podem realizar suas tarefas sem a necessidade de usar uma máscara facial completa em 90% das instalações nucleares, segundo dados da empresa proprietária, a Tokyo Electric Power (TEPCO).

O fato de usar apenas uma máscara que cobre nariz e boca - além do obrigatório traje anti-radiação - "lhes permite trabalhar com menos calor, menos esforço e se comunicar melhor entre si", explicou Juiichi Okamura, porta-voz da companhia.

Cada funcionário recebe uma dose mensal média de radiação de 0,5 a 0,6 milisieverts, segundo dados da TEPCO.

A empresa afirma que nenhum trabalhador chegou nos quatro últimos anos ao limite anual de radiação acumulada de 50 milisieverts, fixado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

A cerca de 100 metros dos reatores 1, 2 e 3 - os que foram mais afetados pelo tsunami -, os medidores de radioatividade apontam entre 70 e 100 microsieverts por hora (entre 0,07 e 0,1 milisieverts), e perto deles chegam a 170 microsieverts.

Os trabalhadores dispõem de um novo edifício dentro da usina com quartos e áreas comuns onde podem descansar e dormir, além de de uma cantina que serve alimentos "produzidos e elaborados em Fukushima" com o objetivo de "dissipar os rumores de que a comida originária da cidade seja perigosa".

Uma conhecida franquia no varejo japonesa abriu dentro do complexo da usina um pequeno supermercado onde é vendida desde comida pré-cozida até roupas íntimas e outros produtos de uso diário.

Há dois anos ainda era possível ver montanhas de escombros espalhadas pela central, além de encanamentos, cabos e vigas retorcidas nos reatores como vestígios do tsunami de março de 2011 e das explosões posteriores.

Em um edifício próximo à unidade número 3, uma marca na fachada de cerca de 10 metros de altura sobre o nível do mar ainda mostra até onde chegou a onda gigante que pôs em xeque a central japonesa e causou a pior crise nuclear desde a de Chernobyl (Ucrânia) em 1986.

Entre as obras recém-terminadas destaca-se o novo piso de cimento de todo o terreno da usina para torná-lo impermeável à chuva e evitar, portanto, que a água arraste elementos radioativos para o oceano Pacífico.

A isso se soma uma barreira marinha próxima da usina e um sistema de drenagem subterrâneo, medidas com as quais a TEPCO conseguiu conter o acúmulo de água contaminada no complexo nuclear.

Na central estão instalados cerca de 800 mil tanques (cada um com uma capacidade de mil metros cúbicos) onde é armazenada água com diferentes níveis de radioatividade, e estima-se que há capacidade máxima para cerca de 950 mil recipientes deste tipo.

Este acúmulo de líquido radioativo é ainda um dos grandes desafios para os responsáveis pela usina e as autoridades japonesas que seguem sem definir o que fazer com esta enorme quantidade de água a longo prazo.

Por outro lado, a TEPCO prevê começar por volta de 2017 a retirada de combustível dos reatores 1 a 3, uma tarefa de alto risco e de elevada complexidade técnica devido às doses mortais de radiação registradas dentro destas unidades, e que até o momento nunca foi realizada nestas condições.

O desmantelamento da central deve durar de 30 a 40 anos, e seu custo total - acrescentando compensações às pessoas que tiveram que deixar suas residências devido ao acidente, entre outras despesas relacionadas - está estimado de 8 a 13 trilhões de ienes (até 104 bilhões de euros), segundo a TEPCO e especialistas japoneses independentes.

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