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França: pesquisas indicam reviravolta e vitória da esquerda nas eleições legislativas

De acordo com os primeiros números, a liderança do pleito ficou para a aliança Nova Frente Popular (NFP), que uniu partidos de esquerda e se aproximou de siglas de centro contra extrema direita

França: projecções eleitorais colocam a coligação de esquerda na frente (VAN DER HASSELT/AFP)

França: projecções eleitorais colocam a coligação de esquerda na frente (VAN DER HASSELT/AFP)

Publicado em 7 de julho de 2024 às 15h16.

Última atualização em 7 de julho de 2024 às 17h09.

Segundo as primeiras estimativas dos institutos de pesquisa, as eleições na França passaram por uma reviravolta, com o partido de extrema direita Reunião Nacional (RN) perdendo fôlego.

De acordo com os primeiros números, o vencedor do pleito foi a aliança Nova Frente Popular (NFP), formada pelos quatro maiores partidos da esquerda francesa, seguida da coalizão de centro-direita.

A decisão ganhou ainda mais relevância para os franceses em meio a debates acalorados com discursos que foram desde nomes relevantes da política até celebridades e jogadores de futebol. No segundo turno deste domingo, a participação dos eleitores bateu recordes, sendo a maior desde 1981. 

A estimativa da IFOP para a emissora TF1 é de que a Nova Frente Popular poderia ganhar 180-215 assentos no parlamento no segundo turno de votação, enquanto uma pesquisa Ipsos para a France TV projetou 172-215 assentos para o bloco de esquerda.

Uma pesquisa da Opinionway para a C News TV disse que a Nova Frente Popular ganharia 180-210 assentos, enquanto uma pesquisa Elabe para a BFM TV projetou uma faixa de 175-205 assentos para eles.

O bloco de centro do presidente Emmanuel Macron estava à frente do partido RN, de Marine Le Pen, na batalha pelo segundo lugar, de acordo com estas sondagens.

São necessários duzentos e oitenta e nove assentos para obter a maioria absoluta na Assembleia Nacional, que corresponde à Câmara de Deputados no Brasil.

O resultado poderia obrigar Macron a compartilhar o poder com a extrema direita. Como o país vive um modelo de semipresidencialismo, a coalizão com mais votos indica o primeiro-ministro, que governa com o presidente.

Segundo a AFP, ele receberá o primeiro-ministro Gabriel Attal e os líderes partidários às 18h30 (horário local) no palácio presidencial. A reunião deverá durar cerca de 1h30, seguindo até pouco antes da divulgação do resultado das eleições — em algumas áreas rurais, as urnas fecharam às 18h (horário local), de acordo com a BBC. Em um pronunciamento oficial, Attal disse que entregará sua renúncia, mas que permanecerá no cargo pelo 'tempo que for necessário'.

Aliança contra a extrema direita

A aliança Nova Frente Popular (NFP) se formou após os resultados do primeiro turno, unindo numa coalizão de partidos de esquerda e centro-direita, que teceram mais de 200 pactos locais implícitos. Foi uma resposta para impedir uma vitória esmagadora de Le Pen e seus aliados, que se saíram melhor no primeiro turno.

As legislativas foram convocadas pelo presidente Emmanuel Macron após os resultados das eleições europeias em 9 junho, quando a extrema direita saiu vitoriosa.

"Saúdo a todos que aceitaram ser candidatos e retirar suas candidaturas e se mobilizaram porta a porta para conseguir arrancar um resultado que parecia ser impossível. Essa noite o Reagrupamento Nacional está longe de ter a maioria absoluta, é um imenso alívio", afirmou, em discurso, Jean-Luc Mélenchon, do partido A França Insubmissa, que integra a coalizão.

Além disso, Mélenchon considerou que os resultados "confirmam a derrota do presidente (Emmanuel Macron) e de sua coalizão (Juntos)" e pediu que ele "não tente escapar dessa derrota com subterfúgios".

Ele também disse que o chefe de governo tem que ser da NFP, coalizão que seu partido, o radical A França Insubmissa, formou com socialistas, comunistas e ecologistas.

"E tem que aplicar seu programa e somente seu programa", enfatizou Mélenchon, que se recusou a entrar em negociações com o bloco de Macron.

"Esta noite tudo começa", diz líder da extrema-direita

Em seu discurso após os primeiros números, Jordan Bardella, líder do RN, chamou a aliança entre partidos de esquerda e centro de "alinça da desonra".

"Infelizmente, a aliança da desonra e os arranjos eleitorais feitos por Emmanuel Macron e Gabriel Attal com a extrema esquerda privam os eleitores de um governo RN", declarou Bardella, em um ataque contra a frente republicana que levou a desistências à esquerda, ao centro e à direita para evitar a chegada da extrema direita ao poder. Segundo ele, "esses acordos eleitorais jogam a França nos braços de Mélenchon".

Embora admita a derrota, Bardella afirmou que nestas eleições o desempenho da extrema-direita trouxe esperança e que "esta noite tudo começa".  "Eu estarei aqui, para vocês, com vocês, até a vitória. Esta noite, um velho mundo caiu, e nada pode parar um povo que voltou a ter esperança", concluiu. (Com Agência O Globo e EFE).

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