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FMI: investidor hoje prefere retorno menor a risco maior

Fundo considera que crise de 2008 mudou a maneira dos investimentos serem feitos

Sede do FMI: relatório mostra que investidores preferem riscos baixos  (Divulgação/IMF)

Sede do FMI: relatório mostra que investidores preferem riscos baixos (Divulgação/IMF)

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Luciana Antonello Xavier

13 de setembro de 2011, 13h42

Nova York - A crise de 2008 mudou a estratégia dos investidores privados e institucionais na alocação de recursos, acentuando uma maior consciência sobre o risco, inclusive em relação à liquidez e ao risco de crédito soberano, afirma o Relatório de Estabilidade Financeira Global, divulgado parcialmente hoje pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). "Por enquanto, num ambiente de juros baixos, a maioria dos investidores institucionais de longo prazo está escolhendo aceitar retornos mais baixos em vez de tomar mais risco", afirma o FMI.

Segundo o relatório, os principais impulsionadores das decisões dos investidores institucionais de longo prazo são boas perspectivas de crescimento de um país, riscos reduzidos e maior apetite global, enquanto o diferencial de juros entre os países tem tido um papel menor. "No entanto, isso não implica que o fluxo de capital em geral não responda ao diferencial de juros, uma vez que outros componentes, incluindo fluxo de investimento de investidores alavancados no curto prazo (como aquele de carry trade), ainda é afetado pelas mudanças nas taxas de juros", observa o texto.

O FMI afirma que, após a turbulência financeira de 2008, os investidores estão mais focados na liquidez do mercado, que define a facilidade com a qual um ativo poderá ser vendido. O documento analisa ainda que, embora o investidor esteja mais sensível ao risco, juros baixos persistentes acabam por estimular alguns deles a tomar risco adicional em ativos alternativos e em mercados menores e de menor liquidez para aumentar o retorno dos investimentos.

A segunda parte do Relatório de Estabilidade Financeira Global será divulgada na próxima semana, quando será realizado o Encontro de Outono do FMI e do Banco Mundial em Washington, com a presença de presidentes de bancos centrais e ministros das Finanças de 187 países.


Emergentes

Ainda que os investimentos para países emergentes tenham aumentado após a crise de 2008, graças às melhores perspectivas de crescimento dessas economias, existe o risco de reversão desse movimento, alerta o FMI. "Com muitos investimentos tirando vantagem pela primeira vez do desempenho econômico melhor desses países, existe o risco de reversão caso os fundamentos mudem. No caso de choques maiores, o impacto dessas reversões poderia ter a mesma magnitude da retração dos fluxos experimentada durante a crise financeira", explica o relatório. "Na verdade, a magnitude da recente saída de fluxo de capital em fundos de ações e bônus do mercado emergente está em linha com essa análise", afirma o FMI.

Fundos soberanos

Os investimentos dos Fundos de Riquezas Soberanos (SWF, na sigla em inglês) de vários países vêm crescendo desde a crise de 2008, segundo o relatório do FMI. "Ainda que a maioria dos ativos financeiros seja de investidores privados, a importância dos investidores soberanos tem crescido e eles se tornaram importantes players nos mercados", diz o relatório.

De acordo com o documento, ao redor de US$ 4,7 trilhões em ativos estão em fundos soberanos, enquanto as reservas em moedas internacionais totalizam cerca de US$ 10 trilhões. "Juntos, os valores dos ativos dos fundos soberanos e das reservas em moedas estrangeiras representam cerca de um quarto dos ativos sob gerenciamento de investidores de instituições privadas", informa o FMI.

Políticas coordenadas

Para que os países possam empregar medidas prudenciais corretamente e assim evitar crises, é preciso entender as fontes dos choques que aumentam os riscos sistêmicos, alerta o FMI. "É essencial uma coordenação das políticas de câmbio, monetária e macroprudencial para obter um setor financeiro mais estável", diz o documento.

Segundo o FMI, colocar em prática medidas prudenciais requer uma atuação em várias frentes para que seja possível detectar a formação e a materialização dos riscos e aplicar mais prontamente as ações necessárias. O relatório diz que o crescimento do crédito, quando acompanhado de aumento de preços de ativos, é um sinal "poderoso" de que uma crise pode se desenvolver nos dois anos seguintes. Segundo o FMI, quando há um crescimento de mais de 5 pontos porcentuais no crédito em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) e aumento de pelo menos 15% nos preços de ações, a probabilidade de crise no prazo de dois anos é de 20%.