FBI acusa Coreia do Norte por ataque hacker à Sony Pictures

Ferramentas utilizadas pelos hackers contra a Sony "têm semelhanças" com um ciberataque contra bancos e meios de comunicação sul-coreanos, informou o FBI

Washington – O FBI informou nesta sexta-feira que tem “informações suficientes” para concluir que a Coreia do Norte é a responsável pelo ataque hacker à Sony Pictures Entertainment. 

“Como resultado de nossa investigação e em estreita colaboração de outros departamentos e agências do governo de EUA, o FBI tem agora suficiente informação para concluir que o governo da Coreia do Norte é responsável por estas ações”, afirmou o FBI em comunicado divulgado em Washington.

O FBI baseou suas conclusões em uma análise de dados do ataque que revelou vínculos de vírus projetados para prejudicar um sistema que foi “desenvolvido previamente por atores da Coreia do Norte”.

A agência também detectou uma “grande coincidência” na infraestrutura usada no ciberataque contra a Sony que o governo dos EUA relacionou com Coreia do Norte em algumas ocasiões anteriores.

Além disso, detalhou o comunicado, as ferramentas utilizadas pelos hackers contra a Sony “têm semelhanças” com um ciberataque contra bancos e meios de comunicação sul-coreanos, que foi realizado em março pela Coreia do Norte.

“Estamos muito preocupados com a natureza destrutiva deste ataque a uma entidade do setor privado e aos cidadãos que trabalham ali”, ressaltou o FBI.

“Além disso, o ataque da Coreia do Norte contra a SPE reafirma que as ameaças cibernéticas representam um dos mais graves perigos para a segurança nacional dos Estados Unidos”.

Ontem a Casa Branca afirmou que o ataque à Sony Pictures Entertainment é “um grave assunto de segurança nacional”.

Os “hackers” roubaram dados pessoais de todos os funcionários do estúdio Sony, conteúdos de e-mails e até cinco filmes.

Com a confirmação da autoria da Coreia do Norte, fica confirmado também que o ataque aconteceu em resposta ao filme “A Entrevista”, qualificado pelo governo de Pyongyang como um “ato de guerra”.

A comédia de Seth Rogen e James Franco narra um complô americano para acabar com a vida do ditador norte-coreano, Kim Jong-un.

Na terça-feira um grupo denominado “Guardiães da Paz”, que assumiu a autoria do ciberataque, emitiu um comunicado em que advertiu que semeará o terror nos cinemas que exibirem o filme e comparou seu plano com os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.

Essa ameaça alcançou seu objetivo. A Sony anunciou nesta quarta-feira o cancelamento da estreia de “A Entrevista”, prevista para 25 de dezembro em EUA, logo depois de as principais salas de cinema do país tirarem o longa de sua programação natalina.

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