Mundo

Ex-presidente da Coreia do Sul é condenado à prisão perpétua

Tribunal de Seul considerou Yoon Suk Yeol culpado por liderar insurreição ao decretar lei marcial em 2024; promotores pediram pena de morte

Ex-presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk Yeol (2ª fila, à esquerda): político foi condenado à prisão perpétua em 19 de fevereiro (HANDOUT / YONHAP/AFP)

Ex-presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk Yeol (2ª fila, à esquerda): político foi condenado à prisão perpétua em 19 de fevereiro (HANDOUT / YONHAP/AFP)

Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 08h33.

Um tribunal sul-coreano condenou nesta quinta-feira, 19, o ex-presidente Yoon Suk Yeol à prisão perpétua por liderar uma insurreição ao decretar lei marcial no fim de 2024.

"A declaração de lei marcial resultou em enormes custos sociais, e é difícil encontrar qualquer indício de que o réu tenha demonstrado arrependimento por isso", afirmou o juiz Ji Gwi-yeon, do Tribunal do Distrito Central de Seul. "Nós o sentenciamos à prisão perpétua", completou o magistrado.

Yoon, de 65 anos, foi destituído do cargo, detido e acusado de crimes que vão de insurreição a obstrução da Justiça.

Relembre a crise na Coreia do Sul

O ex-presidente anunciou a lei marcial em dezembro de 2024, em discurso transmitido em rede nacional. Na ocasião, afirmou que medidas drásticas eram necessárias para combater as "forças antiestatais".

Segundo o juiz Ji, Yoon enviou militares à sede do Legislativo para silenciar opositores políticos.

"O tribunal determinou que a intenção era paralisar a assembleia por um período considerável", destacou o magistrado.

Na noite de 3 de dezembro de 2024, Yoon apareceu na televisão e citou ameaças pouco claras de influência norte-coreana e perigosas "forças antiestatais". Ele declarou a suspensão do governo civil e o início do comando militar.

A lei marcial foi suspensa seis horas depois, após deputados, com apoio de manifestantes, romperem o cerco das forças de segurança e votarem em regime de urgência para reverter a medida.

Pedidos de pena de morte

O Ministério Público acusou Yoon de liderar uma "insurreição" motivada por um "desejo de poder orientado para a ditadura e o comando de longo prazo".

Promotores solicitaram uma pena mais dura e pediram ao tribunal de Seul a pena de morte contra o ex-presidente.

A legislação sul-coreana prevê apenas duas punições para o crime de insurreição: prisão perpétua ou pena de morte.

Yoon, que está detido em regime de isolamento, nega irregularidades e afirma que suas ações buscavam "proteger a liberdade" e restaurar a ordem constitucional diante do que chamou de uma "ditadura legislativa" liderada pela oposição.

Ele já havia sido condenado a cinco anos de prisão por outras acusações. Outros funcionários de alto escalão também receberam penas por participação na tentativa de impor a lei marcial.

Milhares de apoiadores se reuniram diante do tribunal em Seul com cartazes pedindo a retirada das acusações. Centenas de policiais foram mobilizados para evitar distúrbios.

*Com informações da AFP

Acompanhe tudo sobre:Coreia do SulJustiça

Mais de Mundo

Ucrânia recupera 63 km² de território em uma semana — maior avanço desde 2023

EUA planejam retirar quase 1.000 soldados da Síria em até dois meses

Ex-príncipe Andrew é preso por suspeita de má conduta em cargo público, diz BBC

EUA prepara possível ataque ao Irã e Trump avalia decisão final