Donald Trump, presidente americano: tensões e troca de fogo no Irã retornam após meses de diplomacia frágil (Amirhossein Khorgooei/ISNA/Getty Images)
Repórter
Publicado em 14 de julho de 2026 às 17h00.
Última atualização em 14 de julho de 2026 às 17h47.
Os Estados Unidos anunciaram que começaram um bloqueio naval ao Estreito de Ormuz nesta terça-feira, 14, às 17h (hora de Brasília), contra barcos e navios em direção a portos iranianos.
"As forças do Centcom [comando central do Exército americano] farão cumprir o bloqueio contra embarcações que transitam de ou para portos e áreas costeiras iranianas. Os militares dos EUA continuam a apoiar o fluxo de tráfego em águas regionais para todas as embarcações que não violam o bloqueio", disse o comando central, em comunicado.
"Recomenda-se a todos os navegantes que acompanhem os avisos aos navegantes e entrem em contato com as forças navais dos EUA pelo canal 16 (comunicação entre pontes) ao operar nas proximidades do Golfo de Omã e do Estreito de Ormuz", afirma a nota.
Os militares americanos dizem que, de 13 de abril a 18 de junho, quando outro bloqueio foi ativado, foram redirecionadas mais de 140 embarcações que atenderam à ordem de parada, imobilizaram nove navios que não a cumpriam e permitiram a passagem de mais de 50 embarcações comerciais que prestavam auxílio humanitário.
Após semanas de um tênue cessar-fogo e de impasses diplomáticos, o acordo firmado entre os EUA e o Irã no mês passado, que brevemente reabriu o Estreito de Ormuz, parece não ter dado frutos a longo prazo.
Em uma entrevista de rádio nesta segunda, 14, o presidente americano Donald Trump disse que o memorando de entendimento era apenas um "teste", descartando o "grande acordo" — como o chamou semanas atrás — que poderia levar à paz no Oriente Médio.
O republicano também notificou o Congresso de que retomaria as hostilidades. Forças dos EUA e do Irã trocaram ataques renovados com mísseis e drones durante o fim de semana e na segunda-feira; Teerã afirmou ter atingido instalações militares americanas em toda a região do Golfo e mantido fechado o Estreito de Ormuz, o que impulsionou a alta dos preços do petróleo.
Na rede social Truth Social, o presidente diz que "O Estreito de Ormuz está ABERTO e continuará ABERTO, com ou sem o Irã. Nós vamos reinstalar o BLOQUEIO IRANIANO, que tem esse nome porque só impede a entrada e a saída de navios do Irã e de seus parceiros."
Com isso, os EUA esperam não só infligir danos econômicos ao país, reduzindo seu potencial de luta, mas também quebrar o monopólio iraniano sobre as atividades no Estreito, relaxando o controle do Irã sobre Ormuz.
"Vamos manter o controle do estreito e, provavelmente, operá-lo. Seremos os guardiões do estreito. Talvez o chamemos de 'anjo da guarda do estreito'. E deveríamos ser reembolsados por isso", disse ele por telefone ao programa Fox & Friends. "Seremos reembolsados porque as outras nações são muito ricas. Elas estão do nosso lado, e não se pode esperar que façamos isso de graça", disse ele.
Inicialmente, Trump disse que cobraria uma taxa de 20% dos navios que passassem por ali, mas recuou da medida. Nesta terça-feira, ele afirmou que, em vez disso, os países da região concordaram em fazer acordos de investimento e comércio com os americanos.
Por sua vez, a Guarda Islâmica Revolucionária do Irã (IRGC, na sigla em inglês) disse em um comunicado, também nesta segunda, que a única maneira de retomar o funcionamento normal da passagem seria o fim das intervenções militares americanas no Estreito, alertando que "interferência contínua poderia levar a maiores incidentes nos setores globais de gás e petróleo."