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EUA autorizam Venezuela a pagar pela defesa de Maduro

Departamento do Tesouro autorizou que advogados recebam pagamentos do governo venezuelano sob determinadas condições

Maduro poderá usar recursos da Venezuela para custear defesa em Nova York (XNY/Star Max/GC Images/Getty Images)

Maduro poderá usar recursos da Venezuela para custear defesa em Nova York (XNY/Star Max/GC Images/Getty Images)

Publicado em 25 de abril de 2026 às 12h49.

Última atualização em 25 de abril de 2026 às 12h51.

Os Estados Unidos autorizaram que o governo da Venezuela pague os honorários da defesa de Nicolás Maduro no processo criminal que ele enfrenta em Nova York por acusações de tráfico de drogas e narcoterrorismo.

O Departamento do Tesouro permitirá que "os advogados da defesa recebam pagamentos do governo da Venezuela sob certas condições", escreveu o procurador de Nova York, Jay Clayton, ao juiz encarregado do caso, Alvin Hellerstein, em uma carta datada de sexta-feira.

A decisão representa uma mudança nas sanções impostas ao país e afasta um impasse que ameaçava comprometer o andamento do caso judicial contra o ex-presidente venezuelano. Até então, Washington proibia que recursos do Estado venezuelano fossem usados para custear a defesa de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, também ré no processo.

Argumentos da defesa

A defesa argumenta que o governo dos Estados Unidos viola a 6ª Emenda da Constituição ao impedir que os réus utilizem ativos do Estado venezuelano para pagar honorários advocatícios. Segundo os advogados, o OFAC (Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros) revogou licenças que autorizariam o uso desses recursos.

Durante a audiência, Hellerstein classificou o processo como um “caso único” e demonstrou críticas à posição da Procuradoria sobre o uso de sanções como instrumento de política externa. O juiz afirmou que os réus “já não representam ameaça à segurança nacional”, ao mencionar mudanças no cenário político envolvendo a relação entre a Casa Branca e o governo venezuelano.

Apesar das considerações, o magistrado manteve a continuidade do processo e indicou que ainda irá decidir se permitirá o acesso dos réus a recursos para custear a defesa. O julgamento formal não deve começar antes de um ano, segundo estimativas de analistas.

As acusações contra Maduro

Maduro responde a quatro acusações, incluindo conspiração para narcoterrorismo e importação de cocaína. Já Cilia Flores é acusada de participação em conspiração para tráfico de drogas e posse de armas. Ambos se declararam inocentes em janeiro, quando Nicolás Maduro afirmou ser um “prisioneiro de guerra”.

Durante a audiência, advogados também relataram preocupações com a saúde de Flores, mencionando lesões nas costelas já apontadas anteriormente.

Do lado de fora do tribunal, grupos de manifestantes favoráveis e contrários a Maduro realizaram atos simultâneos. Parte dos manifestantes defendeu a libertação do venezuelano, alegando ilegalidade na detenção, enquanto outro grupo pediu a condenação do presidente.

Entenda a invasão dos EUA à Venezuela

Os Estados Unidos invadiram a Venezuela na madrugada deste sábado, 3, e capturaram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma operação militar de grande escala que incluiu bombardeios em Caracas e em regiões estratégicas do país.

A ação, confirmada pelo presidente americano Donald Trump, levou o líder chavista para uma prisão nos Estados Unidos sob acusações de narcoterrorismo e abriu uma crise sem precedentes recentes na América do Sul, com impactos diretos sobre a soberania venezuelana, o equilíbrio regional, o mercado global de petróleo e a arquitetura de segurança internacional.

Os Estados Unidos afirmam ter realizado um ataque em larga escala contra a Venezuela, com bombardeios em Caracas e em estados estratégicos como Miranda, La Guaira e Aragua. Segundo Washington, a ofensiva derrubou sistemas de energia e alvos militares antes da captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.

Maduro foi capturando antes de entrar em um bunker, retirado do país e levado para os Estados Unidos, onde está preso no Metropolitan Detention Center, no Brooklyn. Ele é acusado de narcoterrorismo e tráfico internacional de cocaína e deverá responder a processos em tribunais de Nova York. Autoridades venezuelanas afirmam que integrantes da equipe de segurança presidencial foram mortos durante a operação.

A ação foi conduzida, segundo a imprensa americana, por militares da Delta Force, unidade de elite do Exército dos EUA.

Após a operação, Trump apresentou o que chamou de “Doutrina Donroe”, em referência direta à Doutrina Monroe, ao afirmar que o hemisfério ocidental estaria sob responsabilidade de Washington. O presidente dos EUA disse que a ofensiva representa uma nova estratégia de intervenção regional e afirmou que novas ações militares não estão descartadas.

Trump declarou que as Forças Armadas americanas permanecem prontas para um segundo ataque caso o novo comando venezuelano “não se comporte”. O presidente também fez advertências diretas a Colômbia e México, sugerindo que ambos enfrentam problemas ligados ao narcotráfico e poderiam ser alvo de iniciativas semelhantes.

*Com informações das agências EFE e AFP

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