As duas seleções estão em grupos diferentes: os americanos no Grupo D e os iranianos no Grupo G, mas podem se cruzar nas fases eliminatórias dependendo da classificação (Mattia Ozbot - UEFA/UEFA /Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 10 de maio de 2026 às 13h07.
A Federação de Futebol da República Islâmica do Irã confirmou neste sábado, 9, a participação da seleção na Copa do Mundo de 2026, apesar da escalada da guerra no Oriente Médio e das tensões diplomáticas com os Estados Unidos, um dos países-sede do torneio.
O posicionamento ocorre após o agravamento do conflito regional envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel e reacende a possibilidade de um confronto entre as seleções durante o Mundial, que será disputado entre 11 de junho e 19 de julho de 2026 nos Estados Unidos, México e Canadá.
“Com certeza estaremos no Mundial de 2026, mas os anfitriões devem levar em conta as nossas preocupações”, afirmou a Federação Iraniana de Futebol (FFIRI) em comunicado oficial.
A entidade acrescentou que participará da competição “sem nenhum retrocesso em relação às nossas crenças, cultura e convicções”.
O possível duelo entre Irã e Estados Unidos já movimenta os bastidores do torneio. As duas seleções estão em grupos diferentes: os americanos no Grupo D e os iranianos no Grupo G, mas podem se cruzar nas fases eliminatórias dependendo da classificação.
Caso avancem na mesma posição em seus grupos, os dois times poderão se enfrentar já nos 16 avos ou nas oitavas de final. Todos os jogos eliminatórios da Copa serão disputados em território americano.
A rivalidade entre as seleções ganhou dimensão política nos últimos anos. Irã e Estados Unidos já se enfrentaram nas Copas de 1998, na França, e de 2022, no Catar, em partidas cercadas por forte tensão diplomática.
Na sexta-feira, o presidente da FFIRI, Mehdi Taj, afirmou à televisão estatal iraniana que o governo apresentou dez exigências para garantir a participação da delegação no torneio.
Entre os pedidos estão:
O tema ganhou repercussão após o Canadá barrar recentemente a entrada de Mehdi Taj no país. As autoridades canadenses alegaram vínculos do dirigente com o CGRI, considerado organização terrorista pelo governo canadense desde 2024.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que os jogadores iranianos serão recebidos normalmente nos Estados Unidos, mas ressaltou que integrantes ligados ao CGRI poderão enfrentar restrições de entrada.
“Toda a equipe e comissão técnica, especialmente os que cumpriram serviço militar no Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, como Mehdi Taremi e Ehsan Hajsafi, terão que receber vistos sem nenhum problema”, declarou Taj.
Já o presidente da FIFA, Gianni Infantino, garantiu que o Irã disputará normalmente suas partidas nos Estados Unidos.
A seleção iraniana ficará concentrada em Tucson, no Arizona, durante o Mundial. Na fase de grupos, os jogos acontecerão em cidades americanas:
“Nenhuma força externa pode privar o Irã de participar de uma Copa para a qual se classificou com méritos”, concluiu a FFIRI.
*Com informações da AFP