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Conflitos geoeconômicos lideram lista de riscos globais para 2026, diz WEF

Relatório de Riscos Globais 2026, publicado pelo Fórum Econômico Mundial, reúne a percepção de mais de 1.300 especialistas e líderes globais

Donald Trump, presidente dos EUA, em coletiva.

Donald Trump, presidente dos EUA, em coletiva.

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 17h17.

Última atualização em 20 de janeiro de 2026 às 14h16.

O avanço do protecionismo, o uso estratégico de sanções e a fragmentação das cadeias globais de valor colocam os conflitos geoeconômicos no topo da lista de riscos globais para 2026, segundo o Relatório de Riscos Globais 2026, publicado pelo Fórum Econômico Mundial nesta quarta-feira, 14.

O estudo, que reúne a percepção de mais de 1.300 especialistas e líderes globais, aponta que o mundo entra em uma era de competição acirrada entre estados, marcada por governos que utilizam medidas econômicas, como sanções e tarifas, para pressionar ou influenciar outros países.

Na avaliação dos entrevistados, os conflitos geoeconômicos são o risco provável de desencadear uma crise global nos próximos dois anos.

“Governos estão usando uma variedade crescente de ferramentas econômicas com objetivos de segurança nacional”, afirma o documento.

O uso de tarifas, barreiras a investimentos, subsídios industriais e o controle sobre cadeias de suprimento estratégicas tem se intensificado desde o início da década.

A crescente rivalidade entre Estados Unidos e China — e o envolvimento de outras grandes economias nessa disputa — impulsiona o que o relatório descreve como “a emergência de uma nova ordem competitiva”.

Em 2025, por exemplo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs uma série de tarifas sobre produtos importados de diversos países. A medida provocou retaliações, especialmente por parte da China, que respondeu com ações similares.

Segundo o relatório, esse cenário reflete um mundo que “se afasta de estruturas multilaterais para abraçar uma configuração multipolar sem coordenação global eficaz”.

Na avaliação dos especialistas, essa fragmentação tem implicações profundas, sobretudo para países mais vulneráveis — especialmente os exportadores altamente dependentes de mercados concentrados — que podem ser os mais afetados, enfrentando retração de investimentos, inflação importada e exclusão tecnológica.

“A ausência de mecanismos multilaterais eficazes para moderação e resolução de conflitos econômicos intensifica o risco de rupturas institucionais e instabilidade sistêmica”, diz o relatório.

Para o Fórum, a geoeconomia se tornou um campo de batalha silencioso, mas com efeitos reais e cumulativos, o que impacta diretamente setores como tecnologia, energia, defesa e alimentos — a dinâmica, segundo o documento, mina a previsibilidade das relações internacionais.

“A perda de confiança na governança global e o aumento das tensões internas podem resultar na erosão do Estado de Direito e alimentar polarizações nacionais”, afirma o documento.

O efeito cascata inclui maior instabilidade política, avanço do autoritarismo e enfraquecimento da cooperação internacional para enfrentar crises globais, como as mudanças climáticas e as emergências sanitárias.

Riscos ambientais, desinformação e IA 

Mas não são apenas os conflitos geoeconômicos que representam riscos globais. O documento também mostra que o mundo enfrenta uma década marcada por incertezas, agravamento de crises ambientais e rupturas sociais impulsionadas por tecnologias emergentes.

No curto prazo, até 2028, os entrevistados identificam como principais riscos a desinformação generalizada, os conflitos armados entre Estados, os eventos climáticos extremos, o crime organizado transnacional e os movimentos migratórios em larga escala.

A pesquisa aponta que o mundo atravessa um momento de “turbulência crônica”, em que ameaças digitais e geopolíticas se misturam a crises climáticas e humanitárias.

“Governos recém-eleitos enfrentarão maiores desafios para lidar com narrativas manipuladas por inteligência artificial generativa, o que poderá deslegitimar instituições democráticas”, afirma o relatório.

A proximidade de mais de 70 eleições nacionais nos próximos dois anos agrava o risco de desinformação e de polarização social.

No longo prazo, até 2036, o diagnóstico é ainda mais preocupante. Os cinco principais riscos globais listados pelos especialistas são: eventos climáticos extremos, mudanças críticas nos sistemas naturais da Terra (como correntes oceânicas e degelo), perda de biodiversidade, escassez de recursos naturais e poluição ambiental.

Segundo o Fórum, esses fenômenos terão efeitos assimétricos, afetando principalmente países mais pobres e populações vulneráveis.

A tecnologia, especialmente a inteligência artificial, também aparece com destaque no relatório.

O uso indevido da IA para criar conteúdos falsos, automatizar ciberataques e manipular a opinião pública já representa um risco concreto e crescente. A falta de regulamentação adequada aumenta o potencial de impactos negativos sobre o debate público, o emprego e a governança.

O Fórum classifica o cenário atual como uma “década de divergência”, em que países com maior capacidade de adaptação conseguirão mitigar parte dos riscos, enquanto outros enfrentarão choques simultâneos sem infraestrutura ou estabilidade institucional para reagir.

A fragmentação geopolítica e o declínio da cooperação internacional são apontados como agravantes da vulnerabilidade global.

“Sem esforços coordenados, o mundo corre o risco de enfrentar um ciclo prolongado de crises interconectadas, que vão desde guerras de narrativas até colapsos ambientais”, diz o relatório.

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