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'Captura de Maduro ultrapassa linha inaceitável', diz representante do Brasil na ONU

Órgão das Nações Unidas debate nesta segunda-feira a invasão da Venezuela feita pelos EUA

Vista geral da sala de reuniões do Conselho de Segurança da ONU, em Nova York (AFP)

Vista geral da sala de reuniões do Conselho de Segurança da ONU, em Nova York (AFP)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de internacional e economia

Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 14h24.

Na reunião do Conselho de Segurança da ONU, o Brasil fez uma condenação firme da prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e do bombardeio do país pelos EUA.

"O Brasil rejeita categórica e veementemente a intervenção armada em território venezuelano, em flagrante violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional", disse Sergio Danese, representante do Brasil na ONU, em discurso, nesta segunda-feira, 5.

"O bombardeio do território venezuelano e a captura de seu presidente ultrapassam um limite inaceitável. Esses atos constituem uma grave afronta à soberania da Venezuela e estabelecem um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional", afirmou.

'A aceitação de ações dessa natureza levaria inexoravelmente a um cenário marcado pela violência, pela desordem e pela erosão do multilateralismo, em detrimento do direito e das instituições internacionais", disse.

Danese afirmou ainda que os efeitos do enfraquecimento dos mecanismos de governança internacional levaram a um cenário de 61 conflitos armados ativos e de 117 milhões de pessoas enfrentando catástrofes humanitárias.

'Sem exceções'

"As normas que regem a convivência entre os Estados são obrigatórias e universais. Não admitem exceções baseadas em interesses ou projetos ideológicos, geopolíticos, políticos, econômicos ou de qualquer outra natureza. Não permitem a exploração de recursos naturais ou econômicos para justificar o uso da força ou a derrubada ilegal de um governo", disse. "Não podemos aceitar o argumento que os fins justificam os meios".

O embaixador disse, ainda, que a América do Sul é uma zona de paz e que cabe aos venezuelanos decidirem seu futuro.

"Temos defendido e continuaremos a defender a paz e a não intervenção em nossa região com determinação inabalável. Além disso, o Brasil não acredita que a solução para a situação na Venezuela esteja na criação de protetorados no país, mas sim em soluções que respeitem a autodeterminação do povo venezuelano, dentro dos limites de sua Constituição", afirmou.

Como funciona o Conselho de Segurança

O Conselho de Segurança é o único órgão da ONU com poder de usar a força militar. No entanto, suas decisões podem ser vetadas pelos membros-fundadores. Os EUA são um deles, o que deve impedir medidas contra o país por causa da invasão da Venezuela.

No sábado, 3, forças americanas invadiram a Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro. Ele foi levado para Nova York, onde será julgado por várias acusações, incluindo o envolvimento com o tráfico de drogas.

Sua vice, Delcy Rodríguez, assumiu a Presidência da Venezuela de forma interina. Ela sinalizou que buscará cooperar com os EUA, após sofrer ameaças dos americanos.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que poderá fazer novas operações militares no país se o governo não atender às suas demandas, especialmente ao abrir o setor de petróleo para empresas americanas.

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