Vista geral da sala de reuniões do Conselho de Segurança da ONU, em Nova York (AFP)
Repórter de internacional e economia
Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 14h24.
Na reunião do Conselho de Segurança da ONU, o Brasil fez uma condenação firme da prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e do bombardeio do país pelos EUA.
"O Brasil rejeita categórica e veementemente a intervenção armada em território venezuelano, em flagrante violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional", disse Sergio Danese, representante do Brasil na ONU, em discurso, nesta segunda-feira, 5.
"O bombardeio do território venezuelano e a captura de seu presidente ultrapassam um limite inaceitável. Esses atos constituem uma grave afronta à soberania da Venezuela e estabelecem um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional", afirmou.
'A aceitação de ações dessa natureza levaria inexoravelmente a um cenário marcado pela violência, pela desordem e pela erosão do multilateralismo, em detrimento do direito e das instituições internacionais", disse.
Danese afirmou ainda que os efeitos do enfraquecimento dos mecanismos de governança internacional levaram a um cenário de 61 conflitos armados ativos e de 117 milhões de pessoas enfrentando catástrofes humanitárias.
"As normas que regem a convivência entre os Estados são obrigatórias e universais. Não admitem exceções baseadas em interesses ou projetos ideológicos, geopolíticos, políticos, econômicos ou de qualquer outra natureza. Não permitem a exploração de recursos naturais ou econômicos para justificar o uso da força ou a derrubada ilegal de um governo", disse. "Não podemos aceitar o argumento que os fins justificam os meios".
O embaixador disse, ainda, que a América do Sul é uma zona de paz e que cabe aos venezuelanos decidirem seu futuro.
"Temos defendido e continuaremos a defender a paz e a não intervenção em nossa região com determinação inabalável. Além disso, o Brasil não acredita que a solução para a situação na Venezuela esteja na criação de protetorados no país, mas sim em soluções que respeitem a autodeterminação do povo venezuelano, dentro dos limites de sua Constituição", afirmou.
O Conselho de Segurança é o único órgão da ONU com poder de usar a força militar. No entanto, suas decisões podem ser vetadas pelos membros-fundadores. Os EUA são um deles, o que deve impedir medidas contra o país por causa da invasão da Venezuela.
No sábado, 3, forças americanas invadiram a Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro. Ele foi levado para Nova York, onde será julgado por várias acusações, incluindo o envolvimento com o tráfico de drogas.
Sua vice, Delcy Rodríguez, assumiu a Presidência da Venezuela de forma interina. Ela sinalizou que buscará cooperar com os EUA, após sofrer ameaças dos americanos.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que poderá fazer novas operações militares no país se o governo não atender às suas demandas, especialmente ao abrir o setor de petróleo para empresas americanas.