Repórter
Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 09h16.
A Alemanha se pronunciou sobre a aprovação do acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul nesta sexta-feira, 9.
"Enquanto outros estão se fechando e adotando políticas comerciais cada vez mais agressivas, nós estamos focados em novas parcerias", afirmou o ministro das Finanças do país, Lars Klingbeil, em comunicado oficial.
O ministro disse que a aprovação é um "importante sinal" após a maioria qualificada da UE aprovar o pacto.
O acordo de livre-comércio com o Mercosul era negociado há mais de 25 anos. As informações foram confirmadas pela EXAME com fontes do governo brasileiro.
"É um acordo fundamental para a União Europeia, no plano econômico, político, estratégico e diplomático", disse na quinta-feira Olof Gill, um dos porta-vozes da Comissão, braço executivo do bloco.
Com a aprovação, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, irá para Assunção, no Paraguai, para assinar, na segunda-feira, 12, o acordo comercial.
O acordo não entrará imediatamente em vigor após a assinatura, já que do lado europeu é também necessário o aval do Parlamento Europeu. Cerca de 150 deputados do bloco, de um total de 720, ameaçam recorrer à Justiça para impedir a aplicação do tratado.
Negociado desde 1999 com o bloco da América do Sul, a proposta enfrentou forte resistência do setor agropecuário europeu, que teme o impacto de uma chegada intensa de carne, arroz, mel ou soja sul-americanos, em troca da exportação de veículos, maquinaria, queijos e vinhos europeus para o Mercosul.
Os críticos do pacto, em especial França e Polônia, acreditam que o mercado europeu pode ser seriamente abalado pela entrada de produtos sul-americanos mais competitivos devido a normas de produção consideradas menos rigorosas.
Países defensores, como Espanha e Alemanha, consideram, ao contrário, que o acordo diversificará as oportunidades comerciais para uma UE ameaçada pela concorrência chinesa e pela política tarifária dos Estados Unidos.
Apesar da oposição, estimativas da própria Comissão Europeia apontam que as exportações agroalimentares do bloco para os países sul-americanos devem crescer 50% com o acordo, beneficiadas pela redução de tarifas sobre produtos como vinhos e bebidas alcoólicas (até 35%), chocolate (20%) e azeite (10%).
Para acalmar os agricultores e pecuaristas, foram elaboradas uma série de cláusulas e concessões nos últimos meses. Em dezembro, a Comissão anunciou que abrirá uma investigação se o preço de um produto do Mercosul for pelo menos 8% inferior ao da mesma mercadoria na UE, e se o volume de importações aumentar mais de 8%.
O Executivo europeu comprometeu-se ainda a legislar sobre os resíduos de pesticidas nas importações, um aspecto que os agricultores denunciam como indício de “concorrência desleal”. A Comissão anunciou nesta semana a proibição total de três substâncias: tiofanato-metilo, carbendazima e benomilo, sobretudo em frutas cítricas, mangas e papaias.
A França decretou a suspensão temporária de alguns produtos agrícolas tratados com substâncias proibidas na União Europeia, principalmente sul-americanos. Abacates, mangas, goiabas, frutas cítricas e batatas, entre outros, não poderão entrar na França se contiverem cinco fungicidas e herbicidas proibidos na Europa.