Acordo comercial entre a China e os Estados Unidos entra em vigor

A partir desta sexta, a China e os EUA vão reduzir as tarifas de importação. Gesto é mérito da Fase 1 do acordo, mas também da epidemia do coronavírus

Depois de dois anos de guerra comercial, a relação entre a China e os Estados Unidos entra em uma nova fase. Nesta sexta-feira (14), começam a vigorar os cortes de tarifas previstos no acordo assinado pelos dois países no último dia 15 de janeiro.

No acordo, o governo americano prevê corte de 120 bilhões de dólares em importações chinesas. O corte não se aplica a todas as tarifas impostas entre os dois países desde 2018. Ele se refere apenas aos encargos adicionais anunciados em 1º de setembro de 2019. As taxas impostas antes disso continuam valendo. De qualquer maneira, a Fase 1 do acordo comercial assinado, em 15 de janeiro, representa uma trégua na guerra comercial.

Pelo lado chinês, também entra em vigor um corte recente de 75 bilhões de dólares em tarifas sobre produtos americanos que a China confirmou no início de fevereiro. Entre os produtos americanos beneficiados com os acordos estão o petróleo, a soja e as carnes bovina e suína. No caso da soja, as tarifas serão reduzidas de 30% para 27,5%. Já nas carnes, a suína verá um corte de 60% para 55% e a bovina de 35% para 30%.

Para analistas a decisão da China de reduzir novamente as tarifas após o que já havia sido acordado com os Estados Unidos seria uma tentativa de o governo chinês dar ao mundo um sinal de confiança, especialmente considerando que os impactos dessa epidemia sua economia ainda não estão claros.

O diálogo comercial entre os dois países, que marcou 2019, é ainda mais crucial neste começo de 2020, com a economia chinesa impactada pelo coronavírus. Analistas ouvidos pela Reuters acreditam que a economia chinesa vai crescer em seu ritmo mais lento desde a crise financeira de 2008 neste primeiro trimestre do ano — a estimativa é de alta de 4% ante previsão anterior de 6%. A boa notícia é a expectativa de que a economia comece a se recuperar já no segundo trimestre, com crescimento de 5,7%.

Ainda assim, no acumulado do ano, o crescimento deve ficar entre 5.5% e 6%, o que seria o menor crescimento desde que o cálculo da Reuters começou a ser feito, em 1990. Uma desaceleração deste nível na China tende a impactar uma série de outros mercados que compram e vendem para a segunda maior economia do mundo — inclusive o Brasil.

Enquanto isso, as bolsas parecem não temer tanto uma desaceleração, e os mercados asiáticos fecharam a semana em alta nesta sexta-feira, mesmo após a confirmação de mais 5.000 novos casos de coronavírus. As ações na China fecharam em alta de 0,4% nesta sexta-feira e acumulam alta de 9% desde a volta do feriado de ano novo chinês, há duas semanas. O índice MSCI de ações da Ásia (com exceção do Japão) subiu 0,3% e acumula alta de 1,94%. Mais avanços na relação entre China e Estados Unidos podem animar ainda mais os mercados no restante do ano.

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