Recuperação global já começou. A prova disso é a alta no preço do carbono

Empresas europeias retomam compras de créditos de carbono e empurram para cima cotação da matéria-prima ambiental

A cotação do crédito de carbono no mercado regulado da Europa, principal bolsa da commodity no mundo, retornou ao patamar pré-pandemia. Na quinta-feira, 9, o carbono era negociado a 28,58 euros por tonelada equivalente na EU ETS (European Union Emissions Trading System), plataforma de compra e venda de créditos criada pela Comissão Europeia. 

Há dois meses, quando a curva de contágio pelo novo coronavírus ainda era ascendente, a cotação chegou a cair para cerca de 15 euros. A compra e venda de créditos de carbono em mercados regulados, como o europeu, se dá quando uma empresa precisa se enquadrar em alguma legislação sobre emissões, mas não conseguiu reduzir sua pegada internamente. Os créditos de carbono são direitos de emissão — do próprio carbono. Esses créditos são oferecidos por empresas com práticas mais sustentáveis, que conseguiram reduzir a quantidade de poluentes que jogam na atmosfera. Quem compra: companhias que poluem além da conta.

O avanço no preço da commodity pode indicar uma recuperação mais acelerada da atividade produtiva. A cotação havia caído em virtude da expectativa de uma quarentena prolongada, o que impediria as empresas de produzir e, consequentemente, reduziria as emissões naturalmente. “Se estão comprando, é porque esperam uma demanda maior no segundo semestre e um aumento no preço”, afirma Luís Adaime, fundador da Moss, primeira bolsa de carbono brasileira aberta a pessoas físicas. 

Esse patamar de preço não era registrado desde agosto do ano passado. A última vez que os créditos de carbono ultrapassaram os 29 euros foi em junho de 2008. Apesar de poder ser um indicativo de retomada das atividades, Adaime ressalta que, assim como nas bolsas de valores tradicionais, a cotação na EU ETS pode não refletir fielmente o cenário econômico. “As empresas podem estar antecipando suas compras para não deixar para a última hora”, afirma. 

A compra de carbono em mercados regulados não costuma atrair investidores. Ela se dá pela necessidade das companhias de atingir suas metas de redução de emissões definidas por órgão reguladores. Na Europa, o nível de maturidade desse mercado é maior, justamente, pelas regras ambientais mais rígidas. 

Os mercados regulados, entretanto, balizam as cotações nos mercados não regulados, estes sim acessados por investidores, inclusive pessoas físicas. A cotação nessas bolsas “paralelas” também está em alta, de acordo com Adaime. “Nossa expectativa é que o preço da tonelada chegue a 60 euros em alguns anos”, diz o empreendedor. 

Recentemente, uma série de companhias com atuação global, como Amazon, Apple, Microsoft e Google, anunciou compromissos de se tornar neutras em carbono até 2040. Somente essas companhias devem gerar uma demanda anual de 60 milhões de toneladas nos mercados não regulados. 

Para o Brasil, isso representa uma oportunidade. “O Brasil tem grande capacidade para atender a essa demanda, com créditos de qualidade”, afirma Karen Tanaka, coordenadora da Câmara de Clima do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds). 

Nos mercados não regulados, o preço do carbono é determinado por duas variáveis, a lei da oferta e da procura e a qualidade dos projetos aos quais os créditos estão atrelados. Iniciativas de proteção a florestas e energia limpa, por exemplo, têm mais valor do que um projeto de redução do uso de combustíveis fósseis. Segundo Tanaka, o Cebds tem feito reuniões com o Ministério da Economia para tratar do assunto.

Espera! Tem um presente especial para você.

Uma oferta exclusiva válida apenas nesta Black Friday.

Libere o acesso completo agora mesmo com desconto:

exame digital

R$ 15,90/mês

R$ 6,36/mês

  • Acesse onde e quando quiser.

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.
Assine

exame digital + impressa

R$ 44,90/mês

R$ 40,41/mês

  • Acesse onde e quando quiser

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.

  • Edição impressa quinzenal.

  • Frete grátis
Assine

Já é assinante? Entre aqui.

Apoie a Exame, por favor desabilite seu Adblock.