Ibovespa fecha acima de 91 mil pontos, no maior nível desde 10 de março

Expectativa de recuperação das principais economias dá continuidade ao rali das bolsas; índice já subiu 47,6% desde a mínima do ano

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, teve mais um dia de forte valorização em meio à expectativa global de recuperação das principais economias do mundo. Nesta terça-feira, o índice subiu 2,74% e encerrou em 91.046 pontos, retomando o patamar dos 90 mil pontos, que havia perdido no dia 11 de março.

Desde as mínimas do ano, quando tocou os 61.690 pontos, o Ibovespa já subiu 47,59%. Segundo Marcel Zabello, analista da Necton Investimentos, a reabertura das economias e a maior disponibilidade de dados relacionados ao impacto do coronavírus na economia são os principais gatilhos para alta.

Embora a mediana das projeções do boletim Focus mostre que a expectativa é a de que o PIB brasileiro caía 6,5% neste ano, o mercado projeta uma retomada mais acelerada, pelo menos dos preços das ações. “Quando olha para os Estados Unidos, nossa bolsa está para trás. Teoricamente, tem até mais espaço para subir”, disse Zambello.

No radar dos investidores também estão os estímulos por parte de governos e bancos centrais. De acordo com o jornal alemão Bild am Sonntag, a Alemanha planeja um novo pacote de até 80 bilhões de euros para acelerar a economia. Por lá, o índice Dax da bolsa de Frankfurt fechou em alta de 3,75%. “Não são todos países que têm bala para isso. Mas talvez ajude a retomar a atividade econômica um pouco mais rápido”, disse William Teixeira, diretor de renda variável da Messem Investimentos.

Segundo Teixeira, a valorização de ativos de maior participação no Ibovespa pode impulsionar ainda mais a alta do índice. “As principais ações do Ibovespa ainda não andaram, como Petrobras e os bancos. Ainda tem como ganhar bastante pontos com eles.”

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O otimismo generalizado dos mercados tem ofuscado até mesmo temas críticos, como a escalada de tensões entre China e Estados Unidos. “A guerra comercial atrapalha o cenário. Mas o rali está ignorando isso”, disse Zambello

Na semana passada, o presidente americano, Donald Trump, anunciou retaliações à China em resposta à tentativa do governo chinês de ter maior controle sobre Hong Kong por meio da lei de segurança nacional. O gigante asiático prometeu contra-atacar, mas ainda não anunciou novas medidas.

Na segunda-feira, a Bloomberg noticiou que a China havia interrompido as importações de produtos agrícolas americanos, incluindo a compra de soja, que fazia parte da primeira fase do acordo comercial. Porém, nesta terça, o Global Times informou que carregamentos de soja americana continuam chegando à China.

Tampouco faz efeito sobre os mercados a onda de protestos antirracistas nos Estados Unidos, desencadeada após o cidadão negro George Floyd ter sido assassinado pela polícia de Minneapolis. Trump ameaçou mandar o Exército para “resolver” o que ele chama de “atos de terrorismo doméstico”. As manifestações têm terminado, de forma recorrente, em conflito com policiais. Mais de 20 dos 50 estados já contam com a presença da guarda nacional para tentar controlar a situação. Nos Estados Unidos, o S&P 500 tem a sua sexta alta dos últimos sete pregões e curiosamente o Vix, também conhecido como índice do medo, encerrou o dia em queda.

Por aqui, as ações de empresas fortemente atingidas pelos impactos econômicos do coronavírus lideraram as altas da sessão. Na ponta do índice, os papéis da CVC subiram 20% e os da GOL 15,70%. Já as ações das companhias de ensino Cogna e Yduqs tiveram alta de 13,68% e 12,51%, respectivamente.

Entre os componentes com maior participação no Ibovespa, o destaque ficou para as ações da Petrobras que subiram mais de 4%, tendo como pano de fundo a valorização do barril de petróleo. O petróleo brent, referência para a política de preços da estatal, acumula alta de mais de 10% na semana. Os grandes bancos também apresentaram forte valorização, com o Itaú subindo 6,7%,  Santander, 6%, Bradesco, 4,5% e Banco do Brasil 3,2%.

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