Quando mais é menos: metro quadrado caro demais para alugar (Montagem EXAME com elemento do Canva)
Repórter de Mercados
Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 06h00.
Colocar imóveis para alugar garantiu retorno positivo em 2025, mas o desempenho como investimento ficou aquém de outras alternativas. No segmento de alto luxo, o resultado foi ainda mais fraco. A pedido da EXAME, a Brain Inteligência Estratégica compilou dados que mostram que, nesse recorte, a rentabilidade do aluguel ficou abaixo da média do mercado residencial.
Nos imóveis novos de alto padrão, o retorno médio com locação foi de 3,83% ao ano. Entre os usados, o rendimento subiu para 5,16%, mas ainda assim permaneceu limitado em comparação com investimentos menos conservadores.
No mercado residencial como um todo, a rentabilidade bruta média do aluguel de imóveis novos encerrou 2025 em 6,23%. Nos usados, ficou em 5,85%. Embora a maior parte desses índices tenha superado a inflação de 4,26% no período, o desempenho ficou bem abaixo do CDI, que avançou 13,91%, e até da poupança, com ganho de 8,19%, segundo dados da consultoria Elos Ayta. No caso dos imóveis novos de alto padrão, o retorno com locação não conseguiu sequer acompanhar a inflação.
No mesmo intervalo, na renda variável, o Ibovespa acumulou alta de 33,99%.
A diferença de desempenho expõe uma limitação estrutural dos imóveis de alto padrão. Segundo Fábio Tadeu Araújo, CEO da Brain, a principal explicação está no preço de venda. “O preço por metro quadrado dos imóveis novos é muito mais elevado. Existe um limite natural para o valor que as pessoas estão dispostas a pagar de aluguel, e a maioria do público de alta renda já possui imóvel próprio”, afirma.
Além disso, a demanda por locação nesse segmento costuma vir de profissionais que trabalham temporariamente em outras cidades e buscam imóveis mobiliados — um tipo de oferta ainda pouco disponível no alto padrão, segundo o executivo.
Esse descompasso ajuda a explicar por que imóveis de alto padrão são menos atraentes para quem busca renda recorrente. O valor elevado de aquisição comprime o yield, mesmo quando o aluguel mensal é alto em termos nominais.
Nos imóveis compactos, como estúdios, a lógica é diferente. A metragem menor reduz o preço de compra, enquanto o valor do aluguel não cai na mesma proporção, o que sustenta uma rentabilidade maior. Já no alto padrão, ocorre o inverso: preço por metro quadrado elevado e áreas amplas ampliam o investimento inicial sem gerar um aluguel proporcional.
No curto prazo, portanto, imóveis voltados à alta renda tendem a render menos do que ativos financeiros, sobretudo em um cenário de juros elevados. No horizonte mais longo, seguem cumprindo o papel de reserva de valor, proteção contra a inflação e diversificação patrimonial — ainda que com um custo de oportunidade mais elevado.
No curto prazo, investir em imóveis em geral tende a ter retorno mais baixo quando comparado a alternativas financeiras, especialmente em cenários de juros altos.
"O yield da locação considera também vacância, impostos e custos. Com a valorização do imóvel, o rendimento percentual pode ficar ainda mais comprimido. Ou seja: o lucro mensal é limitado e pode levar anos para superar os custos de aquisição, manutenção e tributos", segundo Peixoto Accyoli, CEO da rede de franquias imobiliárias RE/MAX Brasil.
No longo prazo, a lógica muda. Imóveis têm potencial de valorização patrimonial, preservam valor real diante da inflação e funcionam como reserva física de riqueza. Além disso, contratos de aluguel tendem a ser corrigidos por índices inflacionários, e a valorização do bairro ou da cidade pode aumentar o valor do ativo com o tempo.