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Cimento, tinta, argamassa: os materiais que encareceram a construção em 2025

Sul e Nordeste registram maior pressão inflacionária; Norte e Centro-Oeste têm deflação em insumos-chave

Inflação da construção civil: pressão desigual entre regiões (Germano Lüders/Exame)

Inflação da construção civil: pressão desigual entre regiões (Germano Lüders/Exame)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 4 de fevereiro de 2026 às 10h00.

Os custos da construção civil fecharam 2025 com pressão desigual entre regiões, puxados por aumentos no cimento e no fio de cobre. É o que mostra o Índice de Preços de Materiais de Construção (IPMC), divulgado pelo Ecossistema Sienge com metodologia da Cica Rev Consultoria e apoio da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

A pesquisa aponta que, embora não tenha havido uma inflação generalizada nos materiais de obra, as regiões Sul e Nordeste concentraram as maiores altas de preços, com destaque para o cimento (até +11,9%) e o fio de cobre (quase +20%). Já Norte e Centro-Oeste mostraram deflação ou estabilidade na maioria dos insumos.

A região Sul liderou o avanço nos custos. O fio de cobre teve a maior alta do país, com 19,5%, enquanto o cimento subiu 8,4% no acumulado do ano. Outros materiais, como ferro, tinta e argamassa, ficaram estáveis ou em queda, mas o peso dos dois principais insumos elevou os custos das obras.

"Vimos um descolamento preocupante entre câmbio e insumos dolarizados, como o cobre, que subiu mesmo com a queda do dólar. Além disso, produtos comoditizados como o cimento apresentaram variações regionais muito disformes", afirma José Carlos Martins, presidente do Conselho Consultivo da CBIC.

No Nordeste, o cimento foi o principal responsável pela inflação nos custos da construção, com alta acumulada de 11,9%. O fio de cobre também subiu, mas em menor escala do que no Sul. Argamassa e tinta apresentaram queda, aliviando parte da pressão inflacionária.

A região Sudeste registrou aumentos mais moderados no cimento e no fio de cobre, ao mesmo tempo em que viu deflação em ferro, tinta e argamassa. O movimento ajudou a equilibrar os custos das obras, refletindo um mercado mais estável em 2025.

No Norte e no Centro-Oeste, os insumos apresentaram comportamento oposto. O cimento caiu 4,46% no Norte, enquanto o fio de cobre teve queda expressiva de 8,77% no Centro-Oeste.

O ferro também recuou em todas as regiões, com destaque para o Norte, onde a queda chegou a 18,59%. No Centro-Oeste, a retração foi de 6,77%.

Segundo Gabriela Torres, gerente de Inteligência Estratégica do Ecossistema Sienge, as diferenças entre regiões mostram a importância de uma análise localizada dos custos. "Não houve pressão generalizada de preços em 2025, mas a variação regional foi significativa. Um mesmo insumo pode ter comportamento muito distinto a depender da localização."

O IPMC acompanha insumos que podem representar até 55% dos custos totais de materiais de obra. O modelo estatístico utiliza técnicas de inteligência artificial e classifica automaticamente os produtos em categorias homogêneas, o que aumenta a precisão dos resultados. Os dados têm intervalo de confiança de 95%.

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