Vista de Alphaville, na Grande São Paulo: valorização de bairros de alto padrão impulsionou o aluguel em Barueri (Germano Lüders/Exame)
Repórter de Mercados
Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 10h19.
Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo, voltou a liderar o ranking das cidades com aluguéis mais caros do Brasil. Em dezembro de 2025, o valor médio cobrado na locação de imóveis residenciais foi de R$ 70,35 por metro quadrado, segundo o Índice FipeZAP.
O índice companha mensalmente os preços de locação de imóveis residenciais em 36 cidades brasileiras, incluindo 22 capitais. Os dados refletem os valores anunciados em novas ofertas, e não contratos antigos ou renovados.
Na prática, alugar um apartamento de 50 metros quadrados no município custa, em média, R$ 3.517,50 por mês — R$ 247 a mais que no ano anterior. O valor supera o de capitais como São Paulo, onde o aluguel de um apartamento do mesmo tamanho seria R$ 3.128, e Belém, onde o mesmo aluguel seria de R$ 3.184,50.
A cidade mantém a primeira colocação desde 2022, impulsionada principalmente pela valorização de bairros de alto padrão, como Alphaville. O movimento foi reforçado durante a pandemia, quando o segmento de luxo ganhou tração com a busca por mais espaço, infraestrutura e segurança fora da capital paulista.
A segunda colocada é a capital paraense, que aparece com média de R$ 63,69/m², seguida por São Paulo, com R$ 62,56/m². Ambas as cidades registraram alta acumulada nos preços de aluguel em 2025, acompanhando a tendência nacional de reajustes acima da inflação.
A média nacional do metro quadrado de aluguel foi de R$ 50,98 em dezembro, o que representa um custo de R$ 2.549 para um imóvel padrão de 50 metros quadrados — alta de R$ 143 em relação ao mesmo período de 2024.
Na outra ponta, os menores preços do país foram registrados em Pelotas, no Rio Grande do Sul, onde o aluguel custa, em média, R$ 22,42/m² — o equivalente a R$ 1.121 por um imóvel de 50 metros quadrados.
A cidade gaúcha ficou atrás apenas de Teresina, capital do Piauí, com R$ 26,62/m², e Aracaju, Sergipe, com R$ 27,97/m².
Barueri ultrapassou São Paulo como a cidade mais cara para se viver de aluguel em 2023. Entre as 25 cidades brasileiras analisadas no ano, a cidade se destacou principalmente pelo segmento de alto padrão em Alphaville, bairro nobre do município que dá nome também a condomínios de luxo erguidos na região.
O crescimento é atribuído ao investimento no segmento de luxo na cidade durante o período pandêmico, com influência significativa da região do Alphaville.
O mercado de aluguel residencial encerrou 2025 com alta média de 9,44%, ainda segundo o Índice FipeZAP. O ritmo perdeu força frente aos três anos anteriores, mas voltou a superar com folga a inflação e consolidou mais um ano de reajustes reais no setor.
No mesmo período, o IPCA, índice oficial da inflação no Brasil, ficou em 4,26%. O desempenho também contrastou com o IGP-M, tradicional referência contratual, que recuou 1,05% no período.
Mesmo com a desaceleração, o setor entrou em 2026 em ritmo positivo. A valorização nos aluguéis permanece acima da inflação, o que reforça a pressão sobre inquilinos e a atratividade para proprietários. Para investidores, o cenário exige mais atenção: a rentabilidade do aluguel segue estável, mas abaixo das aplicações financeiras de referência.
Em dezembro, os aluguéis subiram 0,68%, aceleração frente a novembro (0,59%). A variação mensal ficou acima do IPCA (0,33%) e do IGP-M (–0,01%). O avanço foi puxado por imóveis com quatro ou mais dormitórios, com alta de 1,42%, enquanto as unidades de um dormitório subiram 0,58%.
Valor médio mensal por metro quadrado
Barueri (SP): R$ 70,35
Belém (PA): R$ 63,69
São Paulo (SP): R$ 62,56
Recife (PE): R$ 60,89
Florianópolis (SC): R$ 59,77
Santos (SP): R$ 57,95
São Luís (MA): R$ 57,69
Rio de Janeiro (RJ): R$ 54,96
Maceió (AL): R$ 54,86
Vitória (ES): R$ 52,10
Variação percentual no acumulado do ano
Teresina (PI): +21,81%
Campinas (SP): +19,92%
Pelotas (RS): +18,81%
Belém (PA): +17,62%
Aracaju (SE): +16,73%
Niterói (RJ): +16,27%
Vitória (ES): +15,46%
São José do Rio Preto (SP): +15,41%
João Pessoa (PB): +15,31%
Cuiabá (MT): +14,61%